2º Domingo Quaresma 2020 – Ano A

Estamos na quaresma, tempo de reflexão e penitência, onde olhamos para as dores de Cristo em sua Paixão e Morte para a nossa Salvação, mas nem tudo na quaresma gravita em torno do sacrifício, porque não podemos esquecer-nos de quem é Jesus – Ele é o próprio Deus encarnado que “aniquilou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e assemelhou-se aos homens”. (Fil 2, 7). Portanto neste episódio da transfiguração, Jesus apresenta a sua glória, nos dá a conhecer quem Ele é. Na verdade a vida de Jesus neste mundo deveria ser constantemente assim – um homem transfigurado de glória. Por isso que quando Paulo fala que Ele “aniquilou” é que este aniquilamento foi total, sem nenhuma reserva para ser igual a nós em tudo, exceto no pecado. Na transfiguração além de vermos a glória de Deus, em Jesus, sendo apresentado aos apóstolos presentes, vemos também Moisés e Elias como os grandes representantes do Antigo Testamento, um sendo o portador da Lei e o outro o portador do fogo de Deus, saudando Jesus e como que entregando todo o Antigo Testamento em suas mãos. Neste momento sublime encontramos o ápice da transfiguração com a Teofania, a presença de Deus Pai que proclama quem é seu Filho e a nuvem, que representa a presença do Espírito Santo que realiza todo aquele encontro. É um momento da manifestação da glória de Deus para que os homens vejam quem é seu Criador, Senhor e Santificador. O Deus três vezes Santo se apresenta a sua criatura e lhes dá a experimentar sua glória e os que foram escolhidos para representar toda a humanidade neste momento – Pedro, Tiago e João.

Essa glória todos nós somos chamados a experimentar aqui na terra de forma ainda embrionária, mas de forma fulgurante na glória de Deus, na casa do Pai. Por isso vemos na segunda leitura “Ele não só destruiu a morte, como também fez brilhar a vida e a imortalidade”. E é por causa desta manifestação gloriosa que nos colocamos a serviço do Senhor por que esperamos a manifestação daquilo que já experimentamos, mas não em sua totalidade. Por isso que devemos seguir o apelo de São Paulo: “Sofre comigo pelo Evangelho, fortificado pelo poder de Deus. Deus nos salvou e nos chamou com uma vocação santa…”.

Assim irmãos e irmãs todos nós somos chamados a sermos um novo Abraão, aqueles que foram vocacionados por Deus a participar mais plenamente de sua vida e receber d’Ele uma missão de sair de sua terra. Terra esta que representa todo o comodismo, toda vida vulgar em busca de possuir mais, poder mais, ter mais. Para uma nova terra, a terra da comunhão com Deus em uma vida de serviço na implantação de seu Reino sendo benção para todos os que nos rodeiam, sendo sal da terra e luz no mundo. Somos o novo Abraão que temos que gerar para Deus um povo novo, uma vida nova, um mundo novo. Sim, isto é nossa responsabilidade transformar o mundo e para isso fomos “fortificados pelo poder de Deus”.

Para que tudo isso realize em nós temos que passar pela transfiguração de Jesus em nossas vidas, temos que ver a Glória de Deus. Como? Permitindo que o mesmo Espírito Santo que proporcionou o acontecimento da transfiguração realize em nossa vida de oração algo semelhante que nos impulsione a ser um apóstolo de nosso tempo. Somente a experiência de Deus em nós pode nos arremessar sem restrições no anúncio radical do evangelho.

E isso pode acontecer no hoje de nossa história. Oremos.

Antonio ComDeus

Citações da Liturgia de Hoje:

2º Domingo Quaresma 2020 – Ano A

1ª Leitura – Gn 12,1-4a

Vocação de Abraão, pai do povo de Deus.

Salmo – Sl 32,4-5.18-19.20 e 22 (R. Cf. 22)

R. Sobre nós venha, Senhor, a vossa graça, venha a vossa salvação!

2ª Leitura – 2Tm 1,8b-10

Deus nos chama e ilumina.

Evangelho – Mt 17,1-9

O seu rosto brilhou como o sol.