Dízimo é assunto de fé!

Diante da realidade de uma vida da maioria das pessoas voltada para acúmulo de bens como se fosse garantia para ser feliz, além de apresentar uma falsa segurança, o dinheiro pode até ser tratado como motivo de violência, injustiça e desagregação das pessoas.

Dito isso, afirmo que dízimo é assunto de fé. O recente documento “O dízimo na comunidade de fé: orientações e propostas” (CNBB, Doc. 106) ajuda-nos a corrigir erros e aponta o verdadeiro sentido do dízimo. “Por meio do dízimo, que é uma contribuição motivada pela fé, os fiéis vivenciam a comunhão, a participação e a corresponsabilidade na evangelização” (Doc. 106, n. 5). A missão da Igreja é o anúncio da Boa Nova de Jesus Cristo. Para isto ela existe e se organiza em comunidades. Pressupõe cristãos evangelizados, que se sintam comprometidos com a comunidade na transmissão e amadurecimento da fé dos batizados.

Por isso, em primeiro lugar, o dízimo é uma questão de fé e não uma forma de captação de recursos para as pastorais e a manutenção das estruturas eclesiais. Ele está relacionado com a experiência de Deus e com o amor fraterno. “A decisão de contribuir com o dízimo nasce de um coração agradecido por ter encontrado o Deus da vida e experimentado a beleza de sua presença amorosa no dia a dia” (Doc. 106, n.12). Reconhecemos que tudo vem dele e, por gratidão, o melhor devemos dar a Ele (cf. 1Sm 2,29). Ao contribuir, de maneira espontânea, “segundo tiver decidido em seu coração” (2Cor 9,7), o cristão confia-se inteiramente a Deus, manifestando que sua segurança está n´Ele depositada.

Dízimo é sinônimo de gratuidade. Tudo em Deus é gratuito. Ele não tem nada a negociar, para comprar ou vender. É errada a compreensão do dízimo como pressuposto para ter direitos em troca: para poder realizar catequese, para poder realizar a celebração do matrimônio ou até para receber graças especiais.

Quem contribui com o dízimo não pede nada em troca, pois já se sente agraciado por Deus por tantas bênçãos d´Ele recebidas. O dízimo não é uma taxa ou um pagamento de um imposto. Tem a ver com a maturidade de nossa fé, com o vínculo com a comunidade e com a missão de toda a Igreja.

À medida que o dízimo for consciente, fruto de uma decisão de fé madura, não será mais necessário buscar recursos por meio de festas, que terão seu verdadeiro significado como a oportunidade da comunidade se encontrar, rezar e festejar, sem a preocupação de obter recursos para investimentos materiais. Assim compreenderemos que o melhor investimento que uma comunidade pode fazer é na formação cristã de seus membros e na ajuda aos necessitados.

Foto Ilustrativa: Internet

Ensinando o dízimo para as crianças: dicas e ações

 

O dízimo mirim é um tema que não pode deixar de ser tocado durante
a catequese, pois, se entendemos que o dízimo é um compromisso de todo
batizado, devemos ensinar isso as crianças desde cedo.

É importante que com o Dízimo Mirim a criança aprenda o sentido da
partilha, da ação de graças e de assumir a ação evangelizadora da comunidade.
Levantando desde cedo a consciência de que devemos sempre separar uma parte
daquilo que temos para devolvermos a Deus, em sinal de nosso agradecimento e
gratidão por tudo aquilo que Ele nos dá.

Se conseguirmos implantar no coração dos pequenos e dos jovens a
importância e a necessidade da contribuição consciente e generosa, a longo
prazo, o trabalho de conscientização dos adultos começa a diminuir, fazendo com
que a maior parte dos batizados assumam a sua missão enquanto dizimistas.

Nesse quesito, catequistas, agentes da Pastoral do Dízimo e toda a
comunidade podem e devem trabalhar em conjunto, dessa forma fica aberta a
participação do dízimo mirim não só aos catequizandos, mas também as outras
crianças da comunidade.

 

4 motivos para a implantação do Dízimo Mirim:

1 – Ensinar as crianças o porquê da gratidão que
temos com Deus;

2 – Educar as crianças para a PARTILHA,
superando o egoísmo;

3 – Ensinar as crianças que, como
batizadas, são responsáveis, junto com os demais batizados, pela manutenção e
sustentação da comunidade;

4 – Educar as crianças a participarem, elas
mesmas, como fazem os jovens e os adultos, da satisfação das necessidades da
comunidade, especialmente de sua ação evangelizadora.

O dízimo ajuda a superar o egocentrismo e a vencer o egoísmo
porque é uma ação que se faz para fora e não para dentro de si mesmo. Essa ação
exige renúncia, doação e generosidade. Portanto, essa é uma das formas de
educar para a convivência responsável. Ao contribuir, as crianças e os
adolescentes se educam para a partilha, para a solidariedade, para a prática da
justiça e do amor.


3 dicas para a implantação do Dízimo
Mirim:

1 – Convide as crianças a oferecerem uma quantia
que seja o resultado de uma renúncia. O ideal seria que elas tivessem que se
abster de algo – um doce, um lanche, um brinquedo – para poder oferecer a
quantia correspondente. Assim elas iriam se educando para não oferecer sobras ou
restos, mas algo que de fato fizesse a diferença em suas vidas.

2 – Prepare um material próprio – carnês,
fichário, fichas, envelopes, comprovantes etc. É uma forma delas se sentirem
valorizadas, ao mesmo tempo em que terão mais facilidade de compreender o
dízimo numa linguagem apropriada a elas.

3 – Prepare encontros para falar especialmente
sobre o dízimo, com algumas dinâmicas, por exemplo. Como material de apoio,
você pode utilizar o material “O dízimo na catequese – formando discípulos
missionários”
, que é um livro que conta com quatro roteiros
escritos pelo Pe. Cristovam Lubel a serem refletidos em quatro encontros, podem
tanto ser utilizados na sequência, para aproveitar o todo do assunto, ou
encontros aleatórios como, por exemplo, um por mês.

Fica a critério de cada comunidade que, melhor do que ninguém
conhece a realidade da catequese e do dízimo local.


Oração do Dizimista

“Senhor, fazei que eu seja um dizimista consciente. Que cada dízimo que eu der, seja um verdadeiro agradecimento, um ato de amor, o reconhecimento de tua bondade para comigo. Sei que tudo que tenho de bom vem de Ti: paz, amor, prosperidade e bens. Ajudai-me a dar com liberdade e justiça. Tirai todo o egoísmo do meu coração.
Que eu possa amar cada vez mais o meu irmão. Quero ser um instrumento de paz e
amor em Tuas mãos. Que meu dízimo seja agradável a Ti, Senhor. Amém!”

Fonte: padrecristovam.com.br | Diocese de São José dos Campos