Jesus precisa curar as profundas feridas familiares

As feridas familiares são geradas por três motivos

Na vida familiar, acontecem situações que provocam feridas profundas nas pessoas que a compõe: esposo, esposa e filhos. Quantos sofrimentos são gerados por causa de comportamentos que se observam nas pessoas e que acabam ferindo as outras!

Neste texto, quero partilhar, por meio do que colhi em minhas pesquisas e experiência de vida, três causas importantes que provocam as feridas que precisam ser curadas na vida familiar.

Primeira causa: a rejeição

No seio da família acontecem muitos casos de rejeição: pai que rejeita o filho, porque este apresenta algum comportamento negativo ou não de acordo com suas expectativas; mãe que rejeita a filha, porque esta tem manias ou por ciúme e até inveja; filha ou filho que rejeita o pai, porque este bebe, fuma ou tem outros pecados; esposa que rejeita o marido (até em situações de sexualidade conjugal); esposo que rejeita a esposa e assim por diante.

A rejeição provoca rupturas interiores profundas no laço do relacionamento humano e se manifesta em sentimentos de mágoa, fechamento e individualismo. O pior é quando a pessoa acaba se sentindo rejeitada por todos, até por Deus. Para fechar essa ferida, é preciso pedir a força do Espírito Santo e o exercício da acolhida mútua, da aceitação do outro como ele é, com defeitos, imperfeições e pecados. No lugar da atitude de rejeitar, colocar a atitude de aceitar e amar.

Segunda causa: a desavença

Você pode observar como a raiz de todas as brigas na família é porque damos lugar às desavenças, agressões e brigas. São discussões enormes, as pessoas acabam não se entendendo mais e, por qualquer coisa, acabam se agredindo com palavras e, às vezes, até com socos e tapas. O que mais acontece é a agressão moral: palavras que destroem, de acusação e constrangimento.

São pais que ainda agridem seus filhos: batem, brigam, xingam e ofendem. Filhos que perderam totalmente o respeito pelos seus pais. Esposos que agridem suas esposas e as humilha, muitas vezes, na frente dos filhos. Tudo gera sentimento de ódio e vingança, revolta e indignação, perda de sentido da própria vida.

Como curar isso? Com as palavras de Jesus: “Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração”. Exercitar a virtude da tolerância, pedir a graça de ser controlado em seu temperamento pelo Espírito Santo. É preciso rezar e pedir um coração manso e humilde como o de Jesus, para ser curado dessas feridas todas e buscar o diálogo, a conversa franca e amiga.

Terceira causa: a indiferença

Em muitas famílias não acontece a rejeição, nem qualquer tipo de agressão, mas as pessoas deixaram de ser carinhosas e atenciosas entre si. As situações de trabalho e a correria do dia a dia levaram-nas a ter atitudes de indiferença. Pais que não estão nem preocupados com seus filhos, que deixaram de colocá-los no colo e de lhes fazer um gesto de carinho e afeto.

Entre irmãos, vemos que cada um vive sua vida de forma independente, sem qualquer tipo de envolvimento afetivo. Entre cônjuges, então, a situação é caótica: às vezes, eles até têm relações conjugais, mas com frieza, cada um buscando seu próprio prazer.

Isso tudo provoca a fuga (bebida, drogas, fumo) para compensar a necessidade humana de amar e ser amado. Dessa forma, acontecem os divórcios e separações. Filhos que saem de casa para viver sua vida, por não suportarem um relacionamento frio e sem amor.

Jesus pede que recebamos um novo Pentecostes, como um derramamento do Espírito Santo, para que transborde o amor de Deus de nós e passemos a distribuir amor e carinho principalmente entre os de casa. É essa a vontade de Deus, como disse o saudoso Papa João Paulo II: que se construa uma civilização do amor no seio familiar (Familiares Consortio).

Depois dessa reflexão, que o nosso coração rejeite tudo que destrói nossos relacionamentos e nos apropriemos da graça de começar de novo, de retomar uma vida vivida no amor. Que Deus nos ajude nisso.

 

 

Fonte: Canção Nova