Reflexão 2º Domingo da Quaresma – Ano A – 2017

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Estamos no período quaresmal, tempo de intensificar a oração pessoal, as penitências e a vida de caridade. Não fiquemos distraídos durante este período, mas empenhemos a procurar uma vida mais íntima com Deus. Este é um forte tempo de graças, aproveitemos e celebraremos a Páscoa com muito mais ardor.

Hoje somos convidados a refletir sobre nossa vocação. Deus chamou Abraão e fez dele o Pai de todos nós, cristãos. Isso mesmo! Não só do povo de Israel, mas também de nós, pois Jesus é da descendência de Abraão e nós somos renascidos em Cristo. Mas Deus o chamou, retirou de sua terra e mostrou a ele o que ninguém havia percebido: “O criador de todas as coisas é um só Deus – Deus único”. Com essa verdade o povo de Israel viveu durante 600 anos até a chegada de Moisés com a Lei. Vejamos o que é uma vocação: Certamente é um chamado e com ele uma revelação. Chamado e revelação que impulsionam numa caminhada sem volta, sem trégua, um impulso na medida da missão. É isso mesmo! Para cada tipo de missão Deus dá à pessoa a medida de sua glória.

Olhemos os santos, os profetas, olhemos Maria Santíssima. Todos eles receberam a manifestação de Deus semelhante à missão que deveriam desempenhar na construção do Reino de Deus. Veja o evangelho. Jesus levou Pedro, Tiago e João e deu a eles uma experiência tamanha de verem a Sua glória e ouvirem a voz do Pai, que diferentemente do batismo de Jesus, agora o Pai diz: “Escutai-o”. Mas por que estes três e não os doze? Porque estes seriam as colunas fortes da Igreja e teriam uma grande missão, bem diferente dos outros. Experimentaram Jesus em sua glória para que pudessem suportar e não esmorecer diante dos obstáculos que estariam por vir.

São Paulo nos fala: “Sofre comigo pelo Evangelho, fortificado pelo poder de Deus. Deus nos salvou e nos chamou com uma vocação santa”. Chamado a uma vocação, fortificado pelo poder e sofrer pelo evangelho.

E você, descobriu sua vocação? Não estou falando de ser padre, freira, casado… Não! E sim da sua vocação de servir a Deus na implantação de seu Reino. Qual foi a sua experiência com Jesus em que recebeu um chamado e com ele uma revelação, onde você ficou perplexo com a manifestação da glória de Deus? Se isso ainda não aconteceu com você, independente de sua idade, ainda tem que intensificar sua vida de comunhão com Deus. Talvez ainda esteja na periferia da fé, levando uma vidinha religiosa que muitas vezes não se sabe aonde vai dar. É duro quando perguntamos ao povo: quem aqui é santo? Quem vai pro Céu? Que tipo de santo você quer ser? O pior é quando me dizem “um purgatoriozinho está bom”.

D. Estevão Bettencourt (Monge Beneditino) dizia que é medíocre quem aceita o purgatório, pois Jesus foi para a casa do Pai preparar um lugar para cada um de nós.

Irmãos e irmãs, em nossa vida planejamos tanto… Programamos nossos estudos, visualizamos nossa profissão, empenhamos dia a dia para alcançarmos nossos objetivos, mas na vida espiritual somos uma lástima. Não planejamos nada, ficamos bebendo leite quando já deveríamos estar comendo alimento sólido (1Cor 3,2). Jesus quer se transfigurar em nossa vida, quer nos levar a experiências espirituais – “Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam.” (1Cor 2,9). Essa deve ser a nossa meta, nossa busca incessante de experimentar com profundidade o amor generoso de Deus apesar de sermos pecadores. É Ele que nos chama, é Ele que se revela, é Ele que nos capacita e é Ele que realiza em nós seu plano de Amor.

Não temos nada a perder, muito pelo contrário. Imagine! Entrar em comunhão com nosso criador e experimentar seu amor de forma única… é o que “Deus tem preparado para aqueles que o amam!” Saiamos do marasmo de nossa vida espiritual. Caminhemos com disposição. Sejamos ousados, “mesmo o enfermo diga eu sou guerreiro”. (Jl 4,10). Visualizemos o Céu, a Glória de Deus, e nos sintamos lá coroados por termos lutado ao lado de Jesus e, com as mãos calejadas de exercitar o amor, chegarmos à glória de Deus. “Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé. Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia”. (2Tm 4,7-8).

Que este tempo, que não voltará jamais, não fique perdido em nossa caminhada. Poderá fazer falta no futuro. Pense bem!

Antonio ComDeus

 

2º Domingo da Quaresma

 

1ª Leitura – Gn 12,1-4a

Vocação de Abraão, pai do povo de Deus.

Salmo – Sl 32,4-5.18-19.20 e 22 (R. Cf. 22)

R. Sobre nós venha, Senhor, a vossa graça, venha a vossa salvação!

2ª Leitura – 2Tm 1,8b-10

Deus nos chama e ilumina.

Evangelho – Mt 17,1-9

O seu rosto brilhou como o sol.