Reflexão 1º Domingo da Quaresma – Ano A – 2017

alt

Estamos no tempo forte de nossa fé, tempo de reflexão, oração, meditação e penitência. Tempo de viver as dores de Cristo meditando sobre sua paixão e morte. O Verbo que se encarna, assumindo nossa humanidade para nos resgatar da morte eterna a partir de nossa humanidade. Sejamos sábios para viver este tempo e experimentar o amor misericordioso de Deus, que tudo fez para nossa salvação.

Quando vemos o relato de Gênesis sobre a criação, o homem sendo criado semelhante ao seu criador e chamado a viver uma vida íntima de comunhão com Ele, percebemos que neste contexto o homem viveria sua existência em comunhão plena com seu criador. Este relato da criação é muito sábio, com certeza, quando coloca que foi pela tentação, algo que vem de fora, que nossos primeiros pais romperam a amizade com criador. De outra forma, jamais o homem, por si, faria isso, pois estava em comunhão plena com seu criador. O homem poderia comer de todos os frutos das árvores do Jardim, isto é, toda estrutura de conhecimento – física, matemática, astronomia, medicina, etc. – Mas não do conhecimento do bem e do mal, pois lhe tiraria a vida. E isto se deu.

Pelo pecado de um a morte entrou no mundo e, com ela, toda raça humana se definhou. Nenhuma criatura poderia ter uma relação pessoal com Deus e todos estavam destinados à morte eterna. “A transgressão de um só levou a multidão humana à morte, mas foi de modo bem mais superior que a graça de Deus, ou seja, o dom gratuito concedido através de um só homem, Jesus Cristo, se derramou em abundância sobre todos”. Em Jesus nossa condição ficou ainda mais abundante que a de nossos pais. Foi este amor misericordioso de Deus que nos trouxe uma realidade nova – a eternidade feliz com Deus.

Mas não devemos nos esquecer de que aquelas duas árvores (a árvore da vida… e a árvore do conhecimento do bem e do mal), que estavam no meio do Jardim ainda estão à nossa frente e todos os dias somos chamados a nos manter firmes na fé e fazermos sempre a opção de sermos obedientes a Deus. Não podemos nos esquecer de que somos concupiscentes, isto é, temos a tendência para o pecado. O Batismo nos regenerou, nos tornando filhos de Deus, apagando o pecado das origens e nos dando o Espírito Santo, mas ainda reina em nós a falta da ciência moral, a dor e enfermidade e a falta da integridade, que podemos recuperar, sim, com a Vida no Espírito. Então estamos em um campo de batalhas onde nossa luta é contra o tentador buscando a pureza de coração e alma e nos espelhando sempre no Senhor.

Assim como Jesus foi tentado no deserto de três formas – Poder, Possuir e Prazer – também somos, da mesma forma, tentados nestes três “Ps”. E toda a nossa vida é uma batalha constante de superarmos as tentações, mas só podemos com a força da Graça que o Espírito Santo nos dá. Se observarmos bem toda a vida de Cristo foi marcada pela tentação, o Demônio nunca lhe deixou em paz, sempre estava, nas ocultas e outras vezes na manifestação, lhe mostrando as árvores do meio do Jardim, até na cruz – “Se és o filho de Deus…” (Mt 27 40).

Portanto, irmãos e irmãs, nossa condição não é diferente. Seremos sempre tentados. E nossa luta é para vencer essas tentações como Jesus, que venceu o pecado na morte. Assim ficaremos livres definitivamente do pecado se morrermos com Cristo. Nossa vida só tem sentido se tivermos como objetivo a eternidade feliz e tudo o que fizermos será bom se nos aproximarmos desse ideal.

Não percamos tempo, nossa quaresma é tempo forte de trilharmos os degraus da santidade. Assim como planejamos tudo em nossa vida, aprendamos a planejar nossa santidade para que nossa imagem se aperfeiçoe à de nosso criador e um dia receberemos a recompensa.

“É agora o momento favorável, é agora o dia da salvação”. (2Cor 6,2).

Antonio ComDeus

 

1º Domingo da Quaresma

 

1ª Leitura – Gn 2,7-9; 3,1-7

Criação e pecado dos primeiros pais.

Salmo – Sl 50,3-4.5-6a.12-13.14.17 (R.Cf.3a)

R. Piedade, ó Senhor, tende piedade, pois pecamos contra vós.

2ª Leitura – Rm 5,12-19

Onde o pecado abundou superabundou a graça.

Evangelho – Mt 4,1-11

Jesus jejuou durante quarenta dias e foi tentado.