Reflexão 7º Domingo do Tempo Comum – Ano A – 2017

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 “Sede santos, porque eu, o Senhor vosso Deus, sou santo”. A santidade, no conceito de muitas pessoas, é uma aquisição de poder que torna a pessoa um super-homem capaz de fazer prodígios no meio do povo. Certamente que somos chamados à santidade, Deus quer que sejamos santos, mas muito diferente de aquisição de poder é participação naquele que é santo. Só Deus é santo. Ser santo é mergulhar no coração de Deus para que Ele possa ser tudo em nós. Isso requer comunhão, presença, vida vivida, entrelaçada ao ponto de não poder saber onde começa um e onde termina outro. É a participação no Corpo de Cristo.

Quando São Paulo nos fala “Já não sou eu quem vivo é Cristo que vive em mim” (Gl 2,20), temos a noção da vida de santidade. Vida de santidade é abandono, renuncia despojamento, entrega radical. Infelizmente nem todos estão dispostos a isso. É uma pena, pois este mundo passa…

Assim muitos querem sabedoria. Esta parece soar com poder. Poder sobre as coisas, poder sobre pessoas, manipular e levar vantagem. Sabedoria do mundo que gera status e glamour. Mas o que Deus nos oferece vai à contra mão desta sabedoria. Porque só Deus é sábio e para ter sabedoria tem que transpirar Deus para que o outro veja Deus. A sabedoria divina está na humildade, simplicidade, modéstia. É ver as coisas como Deus vê. E se Deus é amor (1Jo 4,8), só é santo quem vive este amor, e quanto mais intenso mais Deus é presença.

Mas como fazer de nossa vida uma comunhão profunda com Deus? Bem! Hoje, no mundo em que vivemos onde as pessoas querem tudo rápido, delivery, vapt-vupt, on-line, e tudo pra ontem. Falar de santidade já vai à contra mão de nossas expectativas sociais. Santidade é um estado de alma fruto da presença contínua com o Senhor. Tempo de oração pessoal – “Quando orares entra no teu quarto, fecha a porta e ora ao teu Pai em segredo; e teu Pai, que vê num lugar oculto, recompensar-te-á”.(Mt 6,6). Vida sacramental e busca de viver as virtudes teologais e cardeais. É um comportamento em que a todo o momento os olhos estão fixos no seu Senhor (Sl 141,8).

“O que fazeis de extraordinário?”. Essa é a pergunta. Qual é o extraordinário em sua vida? O que te diferencia dos outros? Não por competição. Mas para ser perfeito. Essa é a ordem do Senhor. Jesus neste evangelho não está dando uma opção, mas uma ordem: “sede perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito”. Temos que buscar esta perfeição e como só Deus é perfeito, logo devemos estar imersos n’Ele.

Certamente que esta construção se dá durante a vida. Uma amizade não se constrói em um dia, mas em um processo permanente de uma relação entre duas pessoas que gera um amor incondicional, onde se conhece e se dá a conhecer. Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz seu senhor. Mas chamei-vos amigos, pois vos dei a conhecer tudo quanto ouvi de meu Pai”.(Jo 15,15).

“Coisas que os olhos não viram, nem os ouvidos ouviram, nem o coração humano imaginou (Is 64,4), tais são os bens que Deus tem preparado para aqueles que o amam”. (1Cor 2,9).

O que estamos esperando…

Antonio ComDeus

 


 

7º Domingo do Tempo Comum

1ª Leitura – Lv 19,1-2.17-18

Amarás a teu próximo como a ti mesmo!

 

Salmo – Sl 102,1-2.3-4.8.10.12-13 (R.1a.8a)

R. Bendize ó minh’alma, ao Senhor, pois ele é bondoso e compassivo!

 

2ª Leitura – 1Cor 3,16-23

Tudo é vosso. Mas vós sois de Cristo, e Cristo é de Deus.

 

Evangelho – Mt 5,38-48

Amai os vossos inimigos.