Reflexão 5º Domingo do Tempo Comum – Ano A – 2017

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Na Carta aos Coríntios, São Paulo se coloca com toda humildade diante de uma comunidade que ele próprio formou e que agora se revolta contra ele. Uma comunidade dividida em partidos e que se consome em brigas e rixas. ‘Receio encontrar entre vós contendas, invejas, rixas, dissensões, calúnias, murmurações, arrogâncias e desordens’. (IICor 12,20). E explica: ‘Também a minha palavra e a minha pregação não tinham nada dos discursos persuasivos da sabedoria, mas era uma demonstração do poder do Espírito, para que a vossa fé se baseasse no poder de Deus e não na sabedoria dos homens’. Viver a fé e a vida em comunidade é um desprendimento total de si e uma busca constante de Deus. Se isso não for construído na oração pessoal e na disposição de amar o próximo até a morte de si mesmo e na luta contra nossos pecados como nos fala hebreus – ‘Ainda não tendes resistido até o sangue, na luta contra o pecado’. (Hb 12,4). Se não tivermos esta disposição não chegaremos a lugar algum. Veja a promessa de Deus na profecia de Isaías (Is 58, 7-10).

 [Reparte o pão… Acolhe os pobres e peregrinos… Cobre o nú… ENTÃO, brilhará tua luz… Tua saúde há de recuperar-se… Caminhará tua justiça… E a glória do Senhor te seguirá… O Senhor te atenderá, pedirás socorro, e ele dirá: ‘Eis-me aqui’. Se destruíres teus instrumentos de opressão, e deixares os hábitos autoritários e a linguagem maldosa…]. O Senhor nos chama a uma vida de caridade. Esta é a única expressão da presença de Deus em nós. Somente pela Caridade que seremos discípulos do Senhor. Muitas vezes nos ocupamos com tantas coisas, criamos uma vida ativista em que não temos tempo pra nada e tudo o que fazemos está em torno de ‘nossos umbigos’, só vemos a nós mesmos e nos responsabilizamos pelo nosso crescimento e ascendência social. Criamos bens, edificamos ‘castelos’, ajuntamos valores, fazemos um bom patrimônio, queremos uma vida farta, sossego e chamamos isso de ‘felicidade’. Depois deixamos tudo… Para os herdeiros brigarem a gastarem tudo. E o que se leva? Só levamos o que abstraímos de conhecimento e o tanto que conseguimos amar ao próximo. Não somos mais do que isso. Qual o motivo de entramos na roda de uma sociedade capitalista, egoísta, selvagem? Que só serve para nos distrair daquilo que realmente importa?

Jesus nos fala: seja sal da terra luz do mundo. Mas o que é sal e luz? Que sal temos que ser? Que luz? Será que nos matar de trabalhar somente com objetivo de enriquecer, de ter uma boa vida e estar acima de todos e recebendo aplausos como uma pessoa que ‘subiu na vida’ é ser luz? Será que estarmos repletos de poderes terrestres e poder mandar e desmandar tendo nas mãos poderes sobre cidades e estados é ser sal? Muitos pensam que é… Pelo menos na prática.

Mas sabemos o que Jesus nos fala. ‘O maior dentre vós será vosso servo’. (Mt 23,11); ‘Aquele que se fizer humilde como esta criança será maior no Reino dos céus’. (Mt 18, 4). Ao discípulo de Jesus só cabe uma coisa: servir, servir, servir, e depois de tudo… Servir. Foi assim com o nosso Mestre, também deve ser conosco.

‘Assim também brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e louvem o vosso Pai que está nos céus’. Somos somente lâmpadas, acesas ou apagadas, mas é a luz que realiza a mudança e se não estivermos ligados em Deus, pra nada serve.

Sejamos sal e luz para que, como Paulo, possamos dizer: ‘Eu vivo, mas já não sou eu; é Cristo que vive em mim’. (Gl 2,20).

Antonio ComDeus

 

5º Domingo do Tempo Comum

 

1ª Leitura – Is 58,7-10

A tua luz brilhará como a aurora.

Salmo – Sl 111,4-5.6-7.8a.9 (R.4b.3b)

R. Uma luz brilha nas trevas para o justo,

permanece para sempre o bem que fez.

2ª Leitura – 1Cor 2,1-5

Anunciei entre vós o mistério de Cristo crucificado.

Evangelho – Mt 5,13-16

Vós sois a luz do mundo.