Reflexão 30º Domingo do Tempo Comum – Ano C – 2016

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Temos um bom propósito para reflexão sobre a oração da fé. É o que a liturgia nos apresenta nestas leituras. A oração da fé é realizada pelas pessoas humildes. Somente o humilde reza! O orgulhoso basta a si mesmo e não sente necessidade de Deus. Santo Agostinho nos fala: “O homem é um mendigo de Deus” (Serm. 56,6,9). São João Damasceno nos escreve: “A oração é a elevação da alma a Deus”, e Santa Tereza do Menino Jesus: “Para mim, a oração é um impulso do coração, é um simples olhar lançado ao Céu, um grito de reconhecimento e amor no meio da provação ou no meio da alegria”.

O Livro do Eclesiástico nos fala: “A prece do humilde atravessa as nuvens”. Sabemos também que oração é um diálogo com Deus, é a forma que temos para nos relacionarmos com Ele para proporcionar uma amizade, uma intimidade, para melhor conhecê-lo e para se dar a conhecer. Isso mesmo, se dar a conhecer! Você pode dizer: “Mas Deus me conhece todo inteiro”. Sim, mas Ele quer te conhecer á partir de você e não d’Ele. Por isso que na oração apresentamos as áreas mais profundas de nosso coração e criamos intimidade ao falar de nossas dores, alegrias, vontades, ideais, projetos, enfim tudo o que se passa em nossa vida. Por isso que temos que estar em oração todos os dias, para estarmos sempre atualizados em nosso diálogo de amor e certamente para ouvi-lo, no mais intimo de nosso coração, e assim sermos instruídos para que nossos passos sejam o mais perfeito possível.

Sendo assim, podemos nos perguntar: “Como anda a minha oração pessoal? Estou dedicando bastante tempo? Tenho feito bons momentos de oração na intimidade com meu Senhor? Ou só rezo quando as coisas ficam difíceis? Minhas orações são inconstantes; tem dia em que rezo e outros nem passo perto. Ou não sei como rezar… tento, mas não consigo ter uma vida de oração e isso perturba meu coração”. Se algumas dessas indagações fazem parte de sua vida de intimidade com Deus, certamente você esta precisando de ajuda.

A oração é uma arte. É esculpir um grande bloco de mármore. No inicio, é só um bloco. Tem que começar quebrando arestas, tirando um monte de cacos e o que mais se vê são pedaços de mármore espalhados pelo chão e um bloco cheio de cortes sem forma e sem uma imagem boa para se olhar. Aí vem o desanimo, o cansaço, a desilusão de estar fazendo algo sem bons resultados. Neste momento, muitos desistem. Mas é exatamente neste momento que o olhar da fé tem que penetrar neste grande bloco, para ver algo lindo quando acabado. É ter uma visão de fé naquilo que se está construindo junto com Deus na ação pessoal do Espírito Santo. Caso a pessoa vença esta etapa da desilusão, ela encontra forças para viver uma vida de oração na fé. Neste momento a oração deixa de ser infantil – é aquela oração em que só pede e quer que Deus resolva tudo em sua vida, como o filho que depende em tudo da mãe e não quer outra coisa. Certamente ficará um filho mimado – Essa fé infantil dá lugar a uma fé de partilha – eu e Deus caminhamos juntos e estamos construindo um projeto de vida maravilhoso, mas tenho que fazer a minha parte – Esta fé partilhada vai gerando maturidade e a pessoa percebe que nesse projeto ele tem uma missão e tem coisas que só cabe a ele realizar, pois Deus confia e espera que ele faça a sua parte e que no momento certo Deus fará a d’Ele.

Essa maturidade não se recebe de graça, mas se constrói com a Graça. Afinal, tudo é Graça! Certamente que, depois de muitos anos, aquele bloco de mármore quadrado, alto começa a ter forma. Que forma? Aquela que você visionou no início de sua caminhada de oração pessoal. Veja! É você quem visionou, desejou, iniciou a construção de um projeto. E é você o maior responsável para que tudo dê certo, a Graça nunca falta e Deus não faz sozinho. Muito pelo contrário, Ele acompanha seus passos, mas você deve perceber que tudo é Ele que faz em você e com você. Assim a oração é uma comunhão que se vai construindo passo-a-passo, com muita dificuldade, com perseverança, dores, choros, consolo de Deus e abandono. Em muitos momentos parece que Deus abandonou, mas o caminho deve ser construído e assim é a vida de fé. Muitos chamam de “Noite escura”. Nós caminhamos na fé e não na visão (2Cor 5, 7), Hoje vemos como por um espelho, confusamente; mas então veremos face a face. Hoje conheço em parte; mas então conhecerei totalmente, como eu sou conhecido”. (I Cor 13, 12).

Oxalá, possamos dizer como São Paulo: “Combati o bom combate, completei a corrida, guardei a fé. Agora está reservada para mim a coroa da justiça, que o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia”. Lutemos para que no último dia, nesta terra, possamos ter um coração feliz por ter edificado uma vida vivida em comunhão profunda com o Senhor da vida.

Conheci uma pessoa, muito querida, que muito me ajudou na caminhada, que vi poucas vezes, mas que sempre tive um grande carinho por ela, sempre foi uma grande serva de Deus. Certo dia, em sua casa, com seu esposo, sentados na sala, pegou a Sagrada Escritura leu esta passagem de São Paulo “Combati um bom combate…”, adormeceu e foi para a eternidade.

Força! Vamos combater esse bom combate na oração.

Antonio ComDeus

 

30º DOMINGO Tempo Comum

 

1ª Leitura – Eclo 35,15b-17.20-22a (gr. 12-14.16-18)

A prece do humilde atravessa as nuvens.

Salmo – Sl 33,2-3.17-18.19.23 (R.7a.23a)

R.O pobre clama a Deus e ele escuta: o Senhor liberta a vida dos seus servos. 

2ª Leitura – 2Tm 4,6-8.16-18

 

Agora está reservada para mim a coroa da justiça.

Evangelho – Lc 18,9-14

O cobrador de impostos voltou para casa justificado, o outro não.