Reflexão 29º Domingo do Tempo Comum – Ano C – 2016

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Nesta liturgia o Senhor vem nos convidar a refletir sobre a CONSTÂNCIA na oração. Vemos na primeira leitura a batalha de Israel contra Amalec. Amalec, aqui, é o simbolismo do mal. No versículo 16 diz: “O Senhor está em guerra perpétua contra Amalec”. No verso 15 – Moisés construiu um altar que chamou de “JAVÉ NISSI” (Este é o nome da comunidade de um grande amigo da arquidiocese de Pouso Alegre), isto quer dizer “O Senhor é minha Bandeira”. Todos nós defendemos uma causa – Deus.

Neste episódio vemos Josué (que quer dizer Yeshua= Jesus), este vai à batalha e, com sua habilidade de Guerra, se coloca em defesa de Israel e outros três homens de Deus, guerreiros também, como Josué, sobem a montanha para orar. Impressionante, um homem de Deus luta com seus soldados enquanto três homens de Deus se colocam em oração! Certamente que faríamos ao contrário: um reza e os outros lutam. Mas, afinal, quem é que luta e quem é que é vitorioso? Talvez sua resposta seja: Deus. Mas não, todos são vitoriosos, cada qual com sua participação, inclusive Deus. O Senhor não quer fazer as “coisas” de forma isolada. Ele quer contar conosco em todas as empreitadas da Vida. Mas tem algumas coisas as quais temos que nos atentar.

Um homem de Deus estava na batalha enquanto três orava. O que podemos aprender com isso? Em todas as lutas de nossa vida precisamos orar três vezes mais. Mas se os três homens de Deus estivessem rezando e Josué estivesse sentado esperando o que iria acontecer? Amalec ganharia a guerra. Então precisamos rezar três vezes mais ao tamanho da batalha, mas temos que lutar. Não foi Deus que foi lutar e nem Deus que estava em oração, mas os homens de Deus. Assim não podemos esperar que Deus resolvesse os nossos problemas, mas que em comunhão conosco possamos juntos vencer o inimigo.

E veja bem, nosso inimigo é um só – AMALEC. Isto é, o inimigo de Deus e dos homens – O “encardido” (como dizia nosso amigo Padre Léo). O que vemos é a importância da oração pessoal, de nossa comunhão com Deus na intimidade, para sermos conduzidos pelo Espírito Santo e realizarmos coisas que fogem da razão humana, mas onde e somente onde, Deus será glorificado.

Existe um episódio que aconteceu com a Beata Nhá Chica que sempre me intriga. Ela estava a construir uma Capela e ganhou um órgão que chegou a sua cidade de trem e em lombos de burro. Quando já na capelinha o organista da cidade foi tocar o Órgão este não produziu som algum. O povo, todo alarmado e frustrado em sua expectativa, e como que decepcionados, ouviu da serva do Senhor: “Vou perguntar a Sinhá” (forma que chamava a Gloriosa Mãe de Deus). Ao voltar disse ao povo “vamos nos reunir aqui na próxima sexta feira às três horas da tarde”. Naquela sexta feira, a cidade toda, na expectativa, se encontrava na pequena capela. Iniciaram as orações e o organista se prepara para tocar o Órgão de fole e, no momento que inicia, o órgão responde como se nada tivesse acontecido. ORAÇÃO E FÉ. Esta é à base da vida Cristã. Não somos homens simplesmente, somos homens de Deus e devemos fazer as coisas como Deus faria. Isso confunde a mente de todos os que não são de Deus.

De outro lado vemos no Evangelho a perseverança daquela viúva que conseguiu justiça pela sua perseverança. Deus não quer que sejamos “chatos” amolando-O a todo o momento, mas que tenhamos a certeza de que somente Ele é nosso refugio e que nada poderá vir ao nosso socorro senão por Ele. Essa é a nossa oração de confiança e não de desespero. É a oração da fé – certeza de que Ele irá realizar conosco as obras de nossa salvação. Oração de esperança, não aquela esperança de dúvida: “Acho que vai dar certo”; “Deus vai olhar por mim”; “Ele vai, um dia, resolver este problema”. Oração de esperança é a certeza de que Deus, junto conosco, está resolvendo todos os entraves de nossa vida.

Por isso que São Paulo nos fala “insiste oportuna ou importunamente”. Isto se dá na vida de oração, como na vida de evangelizadores. Perseverança, sendo oportuno e importuno, não é inoportuno; este é chato, mas importuno. O dicionário nos diz: fora de tempo ou de propósito, diz-se daquilo que importuna, que incomoda”. Possamos nos incomodar na oração e incomodar os outros a serem pessoas de oração. Afinal, o Senhor nos manda: “Orai sem cessar”.

Antonio ComDeus

 

29º DOMINGO Tempo Comum

 

1ª Leitura – Ex 17,8-13

E, enquanto Moisés conservava a mão levantada, Israel vencia.

 

Salmo – Sl 120,1-2.3-4.5-6.7-8 (R. Cf. 2)

 

 

R.Do Senhor é que me vem o meu socorro, do Senhor que fez o céu e fez a terra. 

2ª Leitura – 2Tm 3,14 – 4,2

O homem de Deus seja perfeito e qualificado para toda a boa obra.

Evangelho – Lc 18,1-8

Deus fará justiça aos seus escolhidos que gritam por ele.