Reflexão 26º Domingo do Tempo Comum – Ano C – 2016

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Nosso Senhor nos convida a refletirmos sobre os caminhos aos quais dirigimos nossa vida, afinal estamos plantando o quê? E o que queremos colher? Todos os dias as pessoas buscam possuir mais, ganhar mais dinheiro, fazer fortuna, buscar lucros exuberantes e em tudo o que fazem levar vantagem para ter mais riquezas. Mas isso vai impulsionar a uma eternidade feliz? Vejamos o caso da parábola: Vejamos que Jesus sempre ensina com as parábolas e nelas está contido todo ensinamento querido por Ele. É certo que uns se aprofundam mais, outros ficam na periferia do ensinamento, mas é dada toda a possibilidade de conhecer os mistérios divinos pelas parábolas.

A trama passa entre um pobre Lázaro feridento, mas que tem nome e o rico opulento, que não tem nome. Abraão disse ao rico: “Filho, lembra-te que tu recebeste teus bens durante a vida”, pois bem, é próprio para o rico ir para o inferno? Certamente que não, mas os ricos têm que entender sua missão. Se Deus os fez ricos foi para que com a riqueza pudessem implantar o Reino de Deus na condução de uma sociedade justa e fraterna. Primeira verdade.

Bem! Mas os dois morreram e Lázaro foi para o seio de Abraão e o rico foi enterrado, nem diz pra onde ele foi, mas certamente esteja no inferno. Lázaro estava no seio de Abraão, nosso pai da fé. Por que Lázaro não estava no Céu? Por que Jesus ainda não havia pago o preço de nossos pecados e ninguém poderia entrar na glória – é a mansão dos mortos que rezamos no credo, onde todos os que morreram antes de Jesus estavam esperando o salvador. Por isso também que o rico pode ver Lázaro, ao contrário, se já estivesse na Glória, jamais o rico veria Lázaro. Segunda verdade.

Outro ponto – Não há passagem dos que estão no seio de Abraão e onde está o rico. Ninguém muda de lugar após a morte. Não existe arrependimento após a morte. Mas parece que o rico está arrependido e até pede para Lázaro avisar seus irmãos. Ele não estava arrependido, apenas não queria que seus familiares fossem para esse lugar, pois o odiariam, por ter promovido uma vida frívola para seus familiares e seu sofrimento seria ainda maior. Terceira verdade

Não existe diálogo com os mortos, pois Abraão diz que quem está nestes dois “lugares” – estado de vida pós-morte – não pode sair de lá. Em nossa Igreja temos a intercessão dos Santos, que é outra coisa. Os que estão em Cristo estão em comunhão em seu Corpo Místico e isto nos três estados da Igreja – Militante (Terra), Padecente (Purgatório) e Triunfante (Céu). Com esses há mediação, pois estão em comunhão, são um só corpo. Quarta verdade.

Também não há reencarnação, do contrário o rico voltaria para resolver seus débitos, mas sua condição é eterna. Em Hebreus temos “Como está determinado que os homens morram uma só vez, e logo em seguida vem o juízo” (Hb 9, 27). Pois bem, além de vivermos uma vida só, já entramos, após a morte, no juízo e seguimos nosso destino, fruto do que cultivamos em nossa vida única aqui na terra, então não existe alma “vagando” buscando resolver suas pendências, buscando luzes para sua alma ficar tranquila e feliz, isto é doutrina espírita que nada tem a ver com a verdade de Cristo. Mais verdades.

Nossa Igreja fala de Juízo particular e de Juízo final. É importante observarmos que os dois falecidos já passaram por um juízo particular e os dois estão em seus “lugares”, que foram conquistados em vida. E seus familiares ainda estão na terra, isto quer dizer que não houve o juízo final, mas sim um juízo imediatamente após a morte com sua sorte já determinada. Mais verdade.

Na Sagrada Escritura, Jesus nos fala do Juízo final em Mateus capítulo 25 – As dez virgens; Os talentos; e o Juízo final – portanto temos após a morte dois juízos – um particular, onde Deus nos colocará diante do projeto que Ele havia pensado para nós e veremos o quanto nos aproximamos de suas aspirações e no fim dos tempos um juízo de Justiça em que, todos juntos, possamos ver a extensão do bem e do mal que realizamos neste mundo, a quem favorecemos e a quem prejudicamos. Mais verdades.

Certamente que podemos aprofundar-nos ainda mais nesta Parábola, mas por hora temos bastante matéria para uma reflexão pessoal.

“… O Reino dos céus é arrebatado à força e são os violentos que o conquistam”. (Mt 11,12). Muita luta para chegar lá.

Antonio ComDeus

 

26º DOMINGO Tempo Comum

 

1ª Leitura – Am 6,1a.4-7

Agora o bando dos gozadores será desfeito.

Salmo – Sl 145,7.8-9a.9bc-10 (R.1)

R. Bendize, minh’ alma, bendize ao Senhor!

2ª Leitura – 1Tm 6,11-16

Guarda o teu mandato até à manifestação gloriosa do Senhor.

Evangelho – Lc 16,19-31

Tu recebeste teus bens durante a vida e Lázaro os males;

agora ele encontra aqui consolo e tu és atormentado.