Reflexão 6º Domingo da Páscoa – Ano C – 2016

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A primeira leitura é riquíssima, no tocante a história do Cristianismo, que vale a pena abordar tais assuntos. Nós estamos, nesta passagem, no período apostólico em que vemos muito Judeus, que se converteram às propostas de Jesus, e assumiram o Cristianismo, mas para esses a lei do Antigo Testamento ainda tinha que ser respeitada e, portanto os pagãos que quisessem ser batizado, isto é, aceitar Jesus como seu salvador, tinham que ser circuncidados, tornando-se, assim, um Prosélito, para depois receber o Batismo. Estes Judeus eram chamados de Judaizantes. São Paulo percebeu logo que a Boa Nova de Jesus não tinha continuidade com as leis judaicas e que os pagãos deveriam receber o batismo sem a circuncisão. Isto foi uma novidade e uma mudança radical que mesmo os Apóstolos não estavam preparados, visto que Pedro só se convenceu após uma visão (At 11) e indo à casa de Cornélio. Mas essas mudanças causaram tantos problemas que enviaram Paulo e Barnabé a Jerusalém para conversar com os Apóstolos. Lá estavam os líderes da Igreja: Pedro, João, Tiago acompanhados de outros anciãos da Igreja nascente. 

Este encontro se denomina como o Primeiro Concílio de nossa Igreja, e depois de muita discussão, onde os ânimos se acenderam, foram colocadas por Tiago quatro resoluções como conclusão deste Primeiro Concílio: “abster-se de carnes sacrificadas aos ídolos, do sangue, das carnes de animais sufocados e das uniões ilegítimas”. Assim Paulo continuou sua evangelização e com o tempo os Judaizantes perderam a força e pelos anos 90 não se falava mais neste assunto.

Mas fazendo um parêntese nesta nossa reflexão. Hoje, em nossa Igreja, há um movimento que é contra o Concílio Vaticano II, dizendo que não foi um concílio dogmático, mas pastoral. É um erro deste grupo, pois o Primeiro Concílio de nossa Igreja foi pastoral como vimos acima.

Continuando… Jesus nos diz no Evangelho: “Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e o meu Pai o amará, e nós viremos e faremos nele a nossa morada”. E depois diz: “o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome”. Jesus não só revela a Santíssima Trindade, como nos diz que somos morada das três Pessoas Divinas. O Pai, o Filho e o Espírito Santo habitam em nós, mas para isso precisamos viver em seu amor. Acolher o amor de Deus para que Ele seja tudo em nós. E depois nos fala: “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; mas não a dou como o mundo”, essa Paz é Shalom. O Shalom, dado por Jesus, tem uma conotação muito diferente do comum do povo, não era somente desejar a paz, mas a presença de Deus – a Paz é presença – somente Deus pode dar a verdadeira Paz e essa Paz só pode ser dada em Jesus.

Assim, somente se amarmos a Deus em Seu amor poderemos ter a Paz, e isso é ter Jesus em toda a nossa vida. Muitas vezes queremos ter a paz, mas a que o mundo dá, que na verdade é tranquilidade, ausência de problemas, prazeres da vida, abundância de dinheiro… Assim pensamos que paz é ausência de problemas e na verdade é paz de espírito. Por isso que o salmo 90 nos fala: Caiam mil homens à tua esquerda e dez mil à tua direita, tu não serás atingido”. Quem está no Senhor, está liberto das amarras do Demônio e destinado à vida eterna feliz, mas não está isento dos problemas da vida. Ao contrário! Estes são meios de santificação para vivermos o Shalom por toda eternidade.

Antonio ComDeus.

 

6º Domingo da Páscoa

1ª Leitura – At 15,1-2.22-29

Decidimos, o Espírito Santo e nós, não vos impor
nenhum fardo, além das coisas indispensáveis.

 

Salmo – Sl 66,2-3.5.6.8 (R. 4)

R. Que as nações vos glorifiquem, ó Senhor,
que todas as nações vos glorifiquem!

 

Ou: R.Aleluia, Aleluia, Aleluia


2ª Leitura – Ap 21,10-14.22-23

Mostrou-me a cidade santa descendo do céu.

 

Evangelho – Jo 14,23-29

O Espírito Santo vos recordará
tudo o que eu vos tenho dito.