Reflexão 10º Domingo Tempo Comum – Ano B – 2015

altEstamos no Tempo Comum em nossa Liturgia. Iremos neste tempo refletir muito sobre os ensinamentos de Jesus e com isso crescer no conhecimento da revelação, então nos preparemos para subir a montanha do conhecimento e experimentar a grandeza do amor que se revela.

Quando olhamos para o pecado de nossos primeiros pais,anunciados pelas estórias de Genesis têm que ir mais profundamente à mensagem divina que o autor sagrado nos propõe. Vejamos: Eles estão no jardim, este é o local de paz e harmonia em uma relação estável com Deus. Ao criar este espaço de intimidade, Deus deu ao homem todas as árvores do Jardim, com exceção da árvore da vida e da árvore da ciência do bem e do mal. Bem, eram duas árvores que o homem não podia tocar.

Agora ao olharmos a metáfora da árvore devemos entender a estrutura do conhecimento ao qual o homem poderia conhecer todas as ciências, aprofundar em todo conhecimento (filosofia, medicina, engenharia, física, astronomia…), mas para o bem do homem não deveria querer conhecer a ciência do mal, e tentado pelo diabo, quis ser igual a Deus, e em sua soberba assumiu para si o mal, e vendeu ao demônio o mundo material, que havia ganhado de Deus como um presente a ser explorado e edificado num mundo lindo e agradável, junto com o criador. Este rompimento causou a morte eterna do ser humano, mas logo após o pecado Deus diz que iria enviar o salvador, o que a Igreja chama de protoevangelho – “Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela. Esta te ferirá a cabeça e tu lhe ferirás o calcanhar”. A descendência da mulher ferirá a cabeça da serpente – Jesus. Mas, devemos ver que estas duas árvores estão diante de nós até hoje e podemos comer ou não de seus frutos – a concupiscência, a tentação e o pecado – que sempre ronda nossa vida nos querendo perder e nos levar para a morte eterna.

Por isso que, resgatados por Jesus, no Batismo, estamos “Sustentados pelo mesmo espírito de fé”, e mesmo “gemendo como em dores de parto” (Rm 8, 22), lutamos contra toda a espécie de dor, sofrimento, tentação, pois sabemos o que nos espera e ansiamos pela eternidade feliz junto de nosso Criador. “Com efeito, o volume insignificante de uma tribulação momentânea acarreta para nós uma glória eterna e incomensurável”. Está é a nossa condição de Filhos de Deus – Este mundo é um estágio e o que mais nos interessa é passar por aqui sem tirar os olhos do Céu e tudo o que fizermos aqui neste mundo tem que contribuir para nos elevar a glória eterna feliz. Infeliz e desgraçado do homem que espera neste mundo alguma recompensa e esquece que este mundo passa.

No evangelho, vemos os parentes de Jesus agindo de forma absurda: “Quando souberam disso, os parentes de Jesus saíram para agarrá-lo, porque diziam que estava fora de si” (diziam que estava louco). Parente é fogo! Não consegue ver além do humano. Puxa! Não perceberam que Jesus tinha uma missão e que todo seu empenho era pouco para trazer ao seu povo um alivio de suas enfermidades e manifestar o amor misericordioso de Deus? É! Muitas vezes nós, em nossa caminhada de fé, também deparamos com isso, na maioria das vezes nossas famílias são os últimos a aceitar nosso chamado e lutar a favor do que fazemos. Fiquemos atentos para não obstruirmos o caminho de alguém, em nossas famílias, que recebeu um chamado para servir a Deus em uma vocação.

Outro ponto importante do Evangelho é o encontro de Maria e sua família com Jesus. Muitos entendem que é um desprezo de Jesus com sua Mãe. Primeiramente, que jamais um filho, iria colocar em evidência sua mãe e ainda mais Jesus, homem perfeito e distribuidor do amor do Pai. Então como entender? Veja esta cena. Ao anunciar a presença de sua Mãe, Jesus os trás para frente de seus discípulos e diz olhando para sua Mãe: “Quem é minha mãe, e quem são meus irmãos?”. Isto é: Quem é igual a minha Mãe? “E olhando para os que estavam sentados ao seu redor, disse: Aqui estão minha mãe e meus irmãos. Quem faz a vontade de Deus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe”. Somente quem faz a vontade de Deus é igual a minha Mãe, portanto vocês serão – minha Mãe, meus irmãos e minhas irmãs – se fizerem como Ela. Assim estarão fazendo a vontade de meu Pai.

Jesus e o evangelista não estão depreciando sua Mãe na frente de sua comunidade, mas sim, mostrando que os discípulos devem ser semelhantes a sua Mãe que fez, em toda sua vida, a vontade do Pai e em nada deixou de servir a Deus, pois foi sempre assistida pelo Espírito Santo. Maria será sempre o ícone do ser humano perfeito, ela é o protótipo perfeito ao qual temos que olhar e seguir seus passos para sempre fazermos a vontade de Deus. E assim ela é a representante de toda humanidade, que criada perfeita, sem pecado, passou pela vida em comunhão plena com o Espírito Santo, sempre se conformando a vontade divina.

Maria, nossa Mãe, nos ajude a servir a Deus como você o fez.

Antonio ComDeus

 

10º Domingo Tempo Comum – 2015

1ª Leitura – Gn 3,9-15

Porei inimizade entre a tua descendência e a descendência da mulher.

 

Salmo – Sl 129,1-2.3-4ab.4c-6.7-8 (R. 7)

R. No Senhor toda graça e redenção!

 

2ª Leitura – 2Cor 4,13-18- 5,1

Nós também cremos e, por isso, falamos.

 

Evangelho – Mc 3,20-35

Satanás será destruído.