Reflexão Solenidade da Santíssima Trindade – 2015

alt“Fides omnium christianorum in Trinitate consistit” – “A fé de todos os cristãos consiste na Trindade.” (São Cesário de Arles).

Após a celebração de Pentecostes entramos na segunda parte do Tempo Comum em nossa liturgia e neste inicio celebramos a festa da Santíssima Trindade e logo após na Quinta Feira celebramos a festa da Corpus Christi. Este Tempo Comum é acompanhado de muitas festas dentro do santoral litúrgico onde celebramos muitos santos de nossa Igreja acompanhada dos meses dedicados e várias ações pastorais.

Mas, em nossa celebração, estamos refletindo sobre a Santíssima Trindade. Um dos Dogmas mais fundamentais de nossa Fé. O Pai em sua “Economia da Salvação” (Processo de Salvação) foi nos revelando paulatinamente às verdades que Ele queria que conhecêssemos. 

Assim escolheu e formou um povo tendo como Patriarca a pessoa de Abraão e a partir dele foi se revelando, dirigindo e atendendo em suas necessidades. O povo escolhido recebeu o inicio da revelação que se culminou em Jesus, Ele é a revelação do Pai e nos trouxe o conhecimento de tudo àquilo que o Pai nos queria presentear. Este povo que peregrinou pelo deserto, não só o deserto de areia, mas muito mais pelo deserto do processo da revelação onde recebia os ensinamentos de Deus de forma mitigada, pois Deus respeitava o processo de caminhada deste povo e com isso a revelação de um Deus Trino foi ocultada aos seus olhos. Conheceram o Deus todo Poderoso criador dos Céus e da Terra e neste conhecimento puderam experimentar o amor misericordioso e entre tantos intempéries e com muitos fracassos conseguiram caminhar sob a graça de um Deus que não falha. 

Mas, a plenitude da revelação, se dá com Jesus que se revela como Deus, como o Pai, na mesma substância, natureza e essência. Jesus revelou que Deus é “Pai” num sentido inaudito: não o é somente enquanto Criador, mas é eternamente Pai em relação a seu Filho único, que só é eternamente Filho em relação a seu Pai: “Ninguém conhece o Filho senão o Pai, e ninguém conhece O Pai senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar” (Mt 11,27). (CEC 240).“E também nos dá o conhecimento da Pessoa do Espírito Santo sendo da mesma Natureza. Antes de sua Páscoa, Jesus anuncia o envio de ‘outro Paráclito’ (Defensor), o Espírito Santo. Em ação desde a criação, depois de ter outrora ‘falado pelos profetas ele está agora junto dos discípulos e neles, a fim de ensiná-los e conduzi-los a verdade inteira’ (Jo 16,13).O Espírito Santo é assim revelado como outra pessoa divina em relação a Jesus e ao Pai”. (CEC 243). Assim Jesus nos dá o conhecimento da Família Trinitária.

Deus não está só, por que o amor se dissipa, expande. O amor quer amar, o amor existe para amar e Deus se nos apresenta as três pessoas para vermos que quem ama quer amar outro ser de igual valor. Assim Deus Pai ama infinitamente o Filho, o Filho ama infinitamente o Pai e o Pai e o Filho ama infinitamente o Espírito Santo que os ama infinitamente. A Trindade é amor infinito compartilhado. Assim nasce o Dogma da Santíssima Trindade, não como uma imposição da Igreja ou de forma arbitrária, mas como fruto da Revelação dada por Jesus.

Assim é formado o dogma: A Trindade é Una. Não professamos três deuses, mas só Deus em três pessoas: “a Trindade consubstancial”. As pessoas divinas não dividem entre si a única divindade, mas cada uma delas é Deus por inteiro: “O Pai é aquilo que é o Filho, o Filho é aquilo que é o Pai, O Espírito Santo é aquilo que são o Pai e o Filho, isto é, um só Deus por natureza”. “Cada uma das três pessoas é esta realidade, isto é, a substância, a essência ou a natureza divina”. As pessoas divinas são realmente distintas entre si. “Deus é único, mas não solitário”. “Pai”, “Filho”, “Espírito Santo” não são simplesmente nomes que designam modalidades do ser divino, pois são realmente distintos entre si: “Aquele que é o Pai não é o Filho, e aquele que é o Filho não é o Pai, nem o Espírito Santo é aquele que é o Pai ou o Filho”. São distintos entre si por suas relações de origem: “E o Pai que gera, o Filho que é gerado, o Espírito Santo que procede”. (CEC 253 – 254).

Certamente é um Mistério, mas mistério revelado como mistério, por que foi Jesus que nos revelou a Trindade e sabemos que é mistério. Temos que perceber que é algo ininteligível, mas não é absurdo. Percebemos o Mistério, tocamos no Mistério, sentimos, nos relacionamos com Eles – Pai, Filho e Espírito Santo – e diante desta grande muralha intransponível só temos uma coisa a fazer – ADORAR. Sim temos que Adorar em Espírito e Verdade. Para nós, deve ser um aprendizado, que a cada dia, em nossa oração pessoal, devemos fazer a experiência com cada pessoa da Trindade. Devemos orar ao Pai, adorar o Filho, Adorar o Espírito Santo e buscar uma intimidade com cada um. Não podemos esquecer que são PESSOAS e que nos chamaram a uma relação pessoal. A iniciativa foi deles e nós não podemos perder esta oportunidade de sermos amigos de Deus.

Adoremos a Trindade e seremos atraídos, por seu Amor, a viver em Seu Reino.

Antonio ComDeus

 

Solenidade da Santíssima Trindade

9ª Semana Tempo Comum

1ª Leitura – Dt 4,32-34.39-40

O Senhor é o Deus lá em cima no céu e cá embaixo na terra, e não há outro além dele.

Salmo – Sl 32,4-5.6.9.18-19.20.22 (R.12b)

R. Feliz o povo que o Senhor escolheu por sua herança.

2ª Leitura – Rm 8,14-17

Recebestes um espírito de filhos, no qual todos nós clamamos: Abá – ó Pai!

Evangelho – Mt 28,16-20

Toda a autoridade me foi dada no céu e sobre a terra.