Reflexão 2º Domingo da Páscoa Ano B – 2015

altEste segundo domingo da Páscoa foi determinado pelo São João Paulo II o domingo da misericórdia, dia em que a Igreja marca em sua liturgia a presença do ressuscitado junto a seus Apóstolos onde Jesus se apresenta de forma espetacular sopra sobre eles o Espírito Santo e dá a Igreja o primeiro e maior dom – a Misericórdia – Sim, esta misericórdia foi dada a Igreja com o poder de perdoar os pecados: A quem perdoardes os pecados eles lhes serão perdoados; a quem os não perdoardes, eles lhes serão retidos”. Nossa Igreja tem o poder de Deus, de forma que não deixa dúvida no fiel, se foi ou não perdoado de seus pecados, Deus não queria que esse perdão ficasse somente no âmbito da consciência, mas que tivéssemos a certeza do perdão pelo amor misericordioso de Deus. Por isso que o primeiro poder que Jesus dá, claramente, a sua Igreja, foi o de manifestar a Sua Misericórdia. A palavra “Sacramento” quer dizer “sinal”, mas não simplesmente um símbolo e sim um sinal palpável, pois o sacramento opera aquilo o que diz, através da fórmula e da matéria.

A Igreja nasce desse amor misericordioso manifestado de várias formas que não nos dá nenhuma sombra de dúvidas dos planos de Deus para a humanidade. A primeira comunidade formada pelas pregações dos Apóstolos começa a viver o projeto de Deus na vida comum. Este é o primeiro sinal da presença de Deus – a vida de comunidade – por isso que os bens eram partilhados e era distribuído conforme a necessidade de cada um. Alguns sinais devem ser observados na comunidade Cristã para dar autenticidade como comunidade de Cristo. São quatro pontos fundamentais: Kerigma, Koinonia, Martiria, Diaconia. Kerigma – uma comunidade que tem como missão a evangelização; Koinonia – Uma comunidade que está em comunhão com a Igreja em sua doutrina e participa da vida da Igreja em seus sacramentos e doutrina; Martiria – uma comunidade que dá testemunho de Cristo em seus atos e atitudes isto de cada um de seus membros; Diaconia – Uma comunidade que está a serviço do próximo e da Igreja em sua missão conforme o Dom recebido do Espírito Santo. “Perseveravam eles na doutrina dos apóstolos, na reunião em comum, na fração do pão e nas orações”. (At 2,42).

Ao olhar para o relato do Evangelho vemos uma comunidade em oração com portas fechadas e, na oração, buscando uma intimidade com o Senhor, uma resposta de tudo o que aconteceu nos dias anteriores, uma comunidade na expectativa e sem saber o que iria acontecer, mas em oração e na espera. Bem será que esta também não é nossa atitude sempre diante do Senhor? Orar e esperar. Somente o Senhor sabe como irá se manifestar em nossas vidas e em nossas necessidades. Assim estavam os Apóstolos, mas Tomé faltou nesta reunião, talvez tivesse uma dificuldade, outro compromisso, ou uma desculpa. E não participou daquele encontro marcado pelo Senhor. Mas isso também não acontece em nossa vida? Quantas vezes faltamos às reuniões da Igreja, na Missa, principalmente a dominical, e damos tantas razões, tantas desculpas, mas na verdade não passamos pela experiência com o Senhor como aqueles Apóstolos passaram naquela noite de Páscoa e Tomé não estava lá. Perdeu a experiência. E como nós, quando sabemos como foi à reunião, a missa, que faltamos, ficamos duvidando das maravilhas que Deus realizou, reclamamos. Assim aconteceu com Tomé, mas na próxima reunião Tomé estava lá, que é justamente o que celebramos este domingo. Agora Tomé passou pela experiência e teve um encontro pessoal com Jesus, certamente caiu um arrependimento em seu coração e se jogou no amor misericordioso do Senhor com isso exclamou: “Meu Senhor e Meu Deus”. Tomé disse o que ninguém havia dito chamar Jesus de DEUS.

É nossa experiência com o Ressuscitado que nos leva a ter a certeza de quem é Jesus. Muitas vezes sabemos que Jesus é Senhor e Deus, isto o Demônio também sabe. A grande diferença é que nós podemos participar desse amor intimamente e para isso temos que estar em comunhão com os irmãos na Igreja, do contrário a religião se torna para nós um clube social e nada acontece em nossa vida.

O mundo de hoje quer nos engolir e fazer de nossa fé algo ridículo e muitos “acendem uma vela pra Deus e outra pro Demônio”, em seus atos e como Cristãos são dignos de pena. Querem a Deus, mas não querem renunciar os prazeres deste mundo, os costumes, os pensamentos, os deleites e acham que tudo é normal. São os “mornos” aqueles que não são frios nem quentes e serão vomitados pela boca do Senhor. (Ap 3, 15-16).

Proclamemos – Jesus Ressuscitou, Aleluia! Mas primeiro com nosso testemunho e depois com palavras.

Feliz Páscoa!

Antonio ComDeus

 

2º Domingo da Páscoa

1ª Leitura – At 4,32-35

Um só coração e uma só alma.

 

Salmo – Sl 117,2-4.16ab-18.22-24 (R. 1)

R. Dai graças ao Senhor, porque ele é bom; eterna é a sua misericórdia!’


Oito dias depois, Jesus entrou.

 

2ª Leitura – 1Jo 5,1-6

Todo aquele que nasceu de Deus venceu o mundo.

 

Evangelho – Jo 20,19-31