Reflexão 30º Domingo Tempo Comum – 2014

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A Palavra de Deus, em nossa liturgia, nos impulsiona ao amor a Deus e ao próximo. Certamente que amar a Deus é fácil – Ele é perfeito, basta si mesmo, não precisa de nós e literalmente não o vemos. Somente alcançamos a Deus pela fé que é um dom que o próprio Senhor coloca em nosso coração para que possamos crer e nos relacionar com Ele. Mas com o próximo é exatamente ao contrário – ele não é perfeito, não basta a si mesmo, portanto precisa do outro e literalmente o vemos no cotidiano de nossas vidas. “Se alguém disser: Amo a Deus, mas odeia seu irmão, é mentiroso. Porque aquele que não ama seu irmão, a quem vê, é incapaz de amar a Deus, a quem não vê”. (IJo 4, 20). A exigência do amor a Deus passa necessariamente e primeiramente pelo amor ao próximo, pois é no exercício do amor ao próximo que começamos a entender quem é Deus.

Muitas vezes queremos um relacionamento com Deus em vista dos bens que Ele nos pode favorecer. Esse tipo de relacionamento não gera amizade e comunhão, mas simplesmente dependência. É uma relação de interesse onde se visa os benefícios de um Deus poderoso que tem o dever de nos favorecer com seus favores (muitos agem assim). Isso é muito pobre. Certamente se uma relação começou assim deve crescer a atingir outros patamares, mas muitos gostam de beber leite o resto da vida. “Eu vos dei leite a beber, e não alimento sólido que ainda não podíeis suportar. Nem ainda agora o podeis, porque ainda sois carnais”. (ICor 3, 2).

Mas a sociedade nos empurra para uma vida individualista, egocentrista na busca de bens materiais e com isso vivemos uma vida na distração daquilo que pode nos favorecer nos prazeres da vida. Veja bem! Estes prazeres não necessariamente sejam os prazeres mundanos de orgias e banalidades, mas muitas vezes somos “educados” a viver uma vida indiferente ao outro, veja o que o celular, tablete… O que estão fazendo nas nossas vidas. Pessoas individualistas e indiferentes ao outro vivendo numa distração e numa agitação que envolve a pessoa o dia todo ao ponto de nem ter tempo para comer, nem mesmo para assistir um filme, pois todo seu dia está envolvido com os aplicativos de seu celular. Não que estou contra a tecnologia, mas temos que colocar limites.

Neste sentido a oração fica prejudicada, pois as pessoas não sabem ficar em silêncio, buscar a interiorização, a meditação, buscar na oração pessoal a contemplação. Tem pessoas que passam por uma experiência de Deus e acham que é tudo, não. Isso é somente o começo e muitos nunca chegam a contemplar a Deus, pois não sabem silenciar-se e dar um “tempo” para que Deus se mostre e assim gere uma amizade.

Amar a Deus não é saber que Deus é amor, mas viver nesse amor. Um amor que começa no desprendimento de si ao próximo vendo nele a possibilidade de exercitar o amor e na oração pessoal para que esse amor seja coroado na intimidade de um relacionamento com a divindade.

Como é nosso momento de oração pessoal? Dedico um tempo, um horário, um local adequado? Será que preparo um local agradável para esse encontro? Coloco uma mesinha, crucifixo, flor? Coloco a Palavra de Deus? Prostro-me de joelhos? Será que dou um tempo de relaxamento e meditação, me adaptando para que este momento seja bem produtivo? Desculpe-me, mas na maioria, somos negligentes e tratamos nosso relacionamento com Deus de forma irreverente e nossa oração não cresce por que não damos o verdadeiro valor a Deus.

Tudo em nossa vida é uma questão de prioridades. Nas prioridades de nossa vida em que lugar fica Deus? Se Ele fica em primeiro, então temos que mudar nossas atitudes ou sermos mais honestos e descer Deus em nossa escala de prioridades.

Bem, se não amamos a Deus da forma que deveria coitado do nosso próximo ou se não amamos o próximo coitado de Deus. A única diferença é que Deus sem nós continua Deus e o próximo sem nós nos deixa mais pobres em espírito.

 

Antonio ComDeus

 

30º Domingo Tempo Comum – 2014

 

1ª Leitura – Ex 22,20-26

Se fizerdes algum mal à viúva e ao órfão minha cólera se inflamará contra vós.

 

Salmo – Sl 17,2-3a. 3bc-4. 47.51ab (R. 2)

R. Eu vos amo, ó Senhor, sois minha força e salvação.

 

2ª Leitura – 1Ts 1,5c-10

Vós vos convertestes, abandonando os falsos deuses, para servir a Deus esperando o seu Filho.

 

Evangelho – Mt 22,34-40

Amarás o Senhor teu Deus, e ao teu próximo como a ti mesmo.