Reflexão 23º Domingo Tempo Comum – 2014

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Somos implantadores do Reino.

Fomos criados a “Imagem e Semelhança” de Deus (Gn 1,26; 2,7). Muitas vezes imaginamos que Deus nos criou como um artista retira do bloco de mármore a escultura que estava em sua mente, mas não é assim o caso de Deus. Deus cria o Ser imprimindo nele tudo o que Ele é. Somente que, no ato de criar, nos dá uma participação finita de seu ser, mas com isso o ser humano participa de sua pessoa e é chamado a viver em plena comunhão com ele. Isto aconteceu com nossos primeiros pais antes do pecado. Certamente que o pecado destruiu essa comunhão, mas Deus enviou seu filho que, ao assumir nossa natureza, resgatou nossa antiga condição. Com o sacrifício de Jesus fomos libertos do pecado, mas não só, também nos restituiu a possibilidade de termos uma relação de amizade com o Pai, assim, em Jesus e pela força do Espírito Santo em nós nos podemos nos relacionar com o Pai e voltarmos a uma comunhão de amor ao ponto de, o Espírito Santo, nos deificar, santificar nos tornando parecidos com Jesus. O Filho por excelência do Pai.

Com essa graça, conquistada por Cristo na Cruz, podemos estabelecer uma relação intima com Deus ao ponto de participarmos de Sua glória aqui e agora, no hoje de nossa história. Quando começamos a meditar, estudar sobre estas verdades, que infelizmente está oculta a tanta gente, nos sentimos impulsionados a caminhar mais decididamente no campo espiritual e escalar a montanha da santidade, tão difícil de subir e tão fácil de cair. Mas é este impulso que deve reger toda a Igreja, por isso que sua primeira missão é evangelizar. E São Paulo nos adverte: “Eu te conjuro em presença de Deus e de Jesus Cristo, que há de julgar os vivos e os mortos, por sua aparição e por seu Reino: prega a palavra, insiste oportuna e importunamente, repreende, ameaça, exorta com toda paciência e empenho de instruir. Porque virá tempo em que os homens já não suportarão a sã doutrina da salvação. Levados pelas próprias paixões e pelo prurido de escutar novidades ajustarão mestres para si. Apartarão os ouvidos da verdade e se atirarão às fábulas”. (IITm 4, 1-4). (Negrito nosso).

Temos o conhecimento e com isso uma responsabilidade. Sabemos do caminho, por que o Senhor nos chamou se revelou e nos restituiu a antiga condição, nos levando a uma intimidade com Ele. Agora não podemos ficar quietos, não podemos enterrar nossos talentos (Mt 25, 14-30) seremos cobrados de tudo o que deixarmos de fazer. É de nossa responsabilidade anunciar “oportuna e importunamente”. As pessoas tem o direito de conhecer a verdade mesmo que elas não saibam disso e nós temos o dever de anunciar estas verdades para que elas recebam o que recebemos – a comunhão com Deus. Os profissionais de publicidade tem muito claro que devem despertar nas pessoas as necessidades e lhes oferecerem algo que as satisfaça e que terão uma vida melhor. E, muitas vezes, é só enganação com o objetivo comercial de gerar lucros. Mas nós temos o que de melhor a pessoa humana pode ter e na maioria das vezes oferecemos de forma tão desprezível que a ninguém interessa.

É a história do Índio. Este estava na praça vendendo suas raízes com promessas de curas e vida longa e ao lado estava um pregador pregando a Palavra de Deus. O índio estava vendendo e cheio de pessoas ao seu redor ao passo que o pregador estava sozinho em suas palavras. Ao final da tarde o pregador disse ao índio: – você vendendo mentiras e todos estão comprando e eu levando a Palavra de Deus e ninguém se interessa. Ao passo que o índio lhe disse: – É que eu vendo mentira como se fosse verdade e você vende a verdade como se fosse mentira.

Aqui está à diferença temos toda a verdade que transforma o mundo. Que realiza a verdadeira vida, mas não sabemos “como” oferecer esta verdade e assim o mundo não é transformado. Temos que ter consciência que o mundo não muda não porque as pessoas querem ser injustas, egoístas, pecadoras e também não é por que Deus não tem poder ou nem se importa com o povo que criou. Mas o grande problema somos nós que conhecemos a verdade, experimentamos o amor de Deus e somos egoístas ao ponto de escondemos dentro de nossas falsas santidade e de impedir que outros entrem – Vós mesmos não entrais e nem deixais que entrem os que querem entrar”. (Mt 23, 13).

Ouçamos o chamado do Santo Padre o Papa Francisco que quer uma Igreja “em saída”, uma Igreja com as portas abertas: “A Igreja é chamada a ser sempre a casa aberta do Pai. Um dos sinais concretos desta abertura é ter, por todo o lado, igrejas com as portas abertas” (EG 47), abertas aos diversos “outros” do mundo. E a verdadeira abertura, segundo o papa, é “conservar-se firme nas próprias convicções mais profundas, com uma identidade clara e feliz, mas ‘disponível para compreender as do outro’ e ‘sabendo que o diálogo pode enriquecer a ambos’” (EG 251).

Vamos em frente, temos muito que fazer. Você já evangelizou, hoje?!

Antonio ComDeus

 

23º Domingo Tempo Comum 

 

1ª Leitura – Ez 33,7-9

Se não advertires o ímpio, eu te pedirei contas da sua morte.

 

Salmo – Sl 94,1-2.6-7.8-9 (R. 8)

R. Não fecheis o coração, ouví, hoje, a voz de Deus!

 

2ª Leitura – Rm 13,8-10

O amor é o cumprimento perfeito da Lei.

 

Evangelho – Mt 18,15-20

Se ele te ouvir, tu ganharás o teu irmão.