Reflexão 15º Domingo Tempo Comum – 2014

altGostaria muito que esta nossa reflexão fosse substituída pelo Sermão da Sexagésima de Padre António Vieira. Neste sermão pregado na Capela Real em 1655 o grande Padre faz uma abordagem da Parábola do Semeador que me impede de escrever seja lá o que for. É muita sabedoria, muito despojamento em Deus e uma iluminação interior que o que vier depois nada pode acrescentar ou demonstrar novidade. Vamos deixar o caminho pra você fazer uma leitura deste sermão. 

O que posso dizer é o quanto aprendi com esse pregador, que após ler e refletir sobre seu sermão tive que tomar uma posição mais intensa em meu trabalho de evangelizador, de professor de Doutrina e de Teologia. É muito intenso e de muita responsabilidade ao ver que a Igreja depende de seus pregadores, anunciadores do Evangelho e que muito se perde dentro da Igreja por que não há pregadores cheios do Espírito Santo que levam uma vida de oração e comunhão na intimidade com Deus. Muitos são relaxados, tentam levar uma “vidinha” de fé só pra manter uma aparência e querem “acender uma vela pra Deus e outra para o Diabo”. E nesta negligência mantém um status na Igreja e acabam tomando lugares de outros.

“Pois a criação ficou sujeita à vaidade, não por sua livre vontade, mas por sua dependência daquele que a sujeitou”. Toda a criação foi um presente de Deus ao Homem que disse: “Façamos o homem a nossa imagem e semelhança e que ele reine… Depois os abençoou e disse: crescei-vos e multiplicai-vos, dominai a terra e submetei-a”. O Homem é dono de toda a criação visível, mas vendeu ao Demônio em troca do conhecimento do Mal e assim toda a criação ficou “gemendo como em dores de parto”. Pois a desgraça atingiu a tudo e a todos. Mas “os sofrimentos do tempo presente nem merecem ser comparados com a glória que deve ser revelada em nós”. Por que Jesus nos traz a nova vida e n’Ele tudo se faz novo, mas ainda não se fez, estamos no tempo da graça e no tempo do “já e ainda não”, estamos salvos, pois Cristo já pagou o preço do nosso pecado, mas ainda não por que o tempo em que estamos é de espera da vinda gloriosa de Jesus.

E neste tempo é o tempo da Igreja, tempo de evangelizar, de anunciar com “paresia” (pregação audaciosa, corajosa, com força e poder). Este é o tempo de semear, de levar a semente da Palavra a todos os lugares, a todas as pessoas, é tempo de sacrifícios, de ver a necessidade da salvação no outro do que a comodidade de uma vida mesquinha buscando seus próprios interesses.

O problema maior da semeadura está naquele que semeia, não está em Deus nem naquele que ouve.

“Para um homem se ver a si mesmo, são necessárias três coisas: olhos, espelho e luz. Se tem espelho e é cego, não se pode ver por falta de olhos; se tem espelho e olhos, e é de noite, não se pode ver por falta de luz. Logo, há mister luz, há mister espelho e há mister olhos. Que coisa é a conversão de uma alma, senão entrar um homem dentro em si e ver-se a si mesmo? Para esta vista são necessários olhos, e necessária luz e é necessário espelho. O pregador concorre com o espelho, que é a doutrina; Deus concorre com a luz, que é a graça; o homem concorre com os olhos, que é o conhecimento. Ora suposto que a conversão das almas por meio da pregação depende destes três concursos: de Deus, do pregador e do ouvinte, por qual deles devemos entender que falta? Por parte do ouvinte, ou por parte do pregador, ou por parte de Deus?”. (Sermão da Sexagésima).

Precisamos acordar deste torpor anêmico de almas cambaleantes á deriva de prazeres ínfimos que produz um enjôo espiritual ao ponto de gerar mais filhos das trevas a luz. Somos chamados a sermos a manifestação da glória de Deus no mundo, pois o mundo não vê Deus, mas seus filhos e que filhos estamos nos apresentado ao mundo para que vejam o Pai?

A semente é boa, o terreno não sabe que terra é, mas os semeadores não podem semear de qualquer forma tem que ter habilidade para que a terra possa produzir fruto. Ninguém semeia sem esperar resultados. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.Mas, a quem assemelharei esta geração? É semelhante aos meninos que se assentam nas praças, e clamam aos seus companheiros.E dizem: Tocamo-vos flauta, e não dançastes; cantamo-vos lamentações, e não chorastes”. (Mt 11, 15-17).

 

É tempo de fé, mística e parresia.

 

Antonio ComDeus

http://bocc.ubi.pt/pag/vieira-antonio-sermao-sexagesima.html

 

15º DOMINGO Tempo Comum

 

1ª Leitura – Is 55,10-11

A chuva faz a terra germinar.

 

Salmo – Sl 64,10.11.12-13.14 (R. Lc 8,8)

R. A semente caiu em terra boa e deu fruto.

 

2ª Leitura – Rm 8,18-23

A criação está esperando ansiosamente o momento de se revelarem os filhos de Deus.

 

Leitura da Carta de São Paulo aos Romanos 8,18-23

 

Evangelho – Mt 13,1-23

O semeador saiu para semear.