Reflexão 5º Domingo do Tempo Comum – Ano C

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“Santo, santo, santo é o Senhor dos exércitos; toda a terra está repleta de sua glória”. Este é o canto dos Serafins diante da visão de Isaías, que maravilhosa cena. Mergulhemos em nossa imaginação e meditemos sobre este evento e contemplemos a Glória de Deus, sintamos a terra CHEIA de sua Glória. Talvez, no mundo em que vivemos presenciando tantos desmandos, brigas, guerras, assassinatos, neste mundo globalizado em que as notícias caminham a passos largos, não percebamos a Glória de Deus resplandecer. Mas onde está a diferença? Será que Deus não é o mesmo? Ou será que nos afastamos tanto da graça que não sabemos mais contemplar Sua Glória que se faz presente e sem alteração em toda a terra?

Vemos nesta leitura o chamado de Deus ao Profeta e sua experiência. Deste ponto podemos refletir que a intensidade da experiência é a intensidade da missão, o quanto mergulhamos na presença de Deus será a forma que nos dedicaremos no serviço de Deus no meio dos homens. E de outro lado a experiência de Deus nos faz tremer e sentir a fragilidade diante da majestade e ter um encontro contigo mesmo percebendo seus pecados, falhas, limitações e um desespero diante daquele que é Santo. Foi o que aconteceu com Isaías e também vemos isso na vida dos santos de nossa Igreja. Basta refletir: Que tipo de encontro que tive com o Senhor? Como posso fazer para intensificar meu encontro com Deus? Este é o nosso desafio, nossa luta. Clamar ao Senhor sua benevolência, misericórdia para que o Espírito Santo nos conduza a um mergulho profundo em Seu amor para podermos exclamar: “Ai de mim, estou perdido! Sou apenas um homem de lábios impuros, mas eu vi com meus olhos o rei, o Senhor dos exércitos”. Diante do reconhecimento de seus pecados Deus purifica dando Seu perdão e despertando a sua vocação.

Da mesma forma vemos Paulo proclamando as verdades do evangelho fruto de sua experiência com o Ressuscitado. Experiência que todos passaram: apóstolos, discípulos e, como abortivo, o próprio Paulo que foi arrancado à força da vida velha para uma vida de missão e formação da Igreja. E o que seria da Igreja sem o papel de Paulo nas comunidades de seu tempo? Foi ele que trabalhou na formação das comunidades cristãs levou para as terras longínquas, pois tinha recebido a missão de: “evangelizar até os confins da terra”. A experiência de Paulo foi algo tão arrasador que não conseguimos nem imaginar – “Conheço um homem em Cristo que há catorze anos foi arrebatado até o terceiro céu. Se foi no corpo, não sei. Se fora do corpo, também não sei; Deus o sabe”. (II Cor 12,2). Este é o próprio Paulo. Ele também disse que se considerava Apóstolo por que foi instruído pelo próprio Jesus que lhe ensinou tudo o que sabia. Só que a conversão dele se deu após a morte e ressurreição do Senhor, então deduzimos que Jesus aparecia a ele e o ensinava, com tudo isso dá pra termos uma idéia da experiência de Paulo que o levou a sofrer pelo evangelho: “(…) pelos cárceres, pelos açoites sem medida. Muitas vezes vi a morte de perto. Cinco vezes recebi dos judeus os quarenta açoites menos um. Três vezes fui flagelado com varas. Uma vez apedrejado. Três vezes naufraguei, uma noite e um dia passei no abismo. Viagens sem conta, exposto a perigos nos rios, perigos de salteadores, perigos da parte de meus concidadãos, perigos da parte dos pagãos, perigos na cidade, perigos no deserto, perigos no mar, perigos entre falsos irmãos! Trabalhos e fadigas, repetidas vigílias, com fome e sede, freqüentes jejuns, frio e nudez! Além de outras coisas, a minha preocupação cotidiana, a solicitude por todas as igrejas! (2Cor 11, 23-28).

No Evangelho vemos Jesus em sua pregação que usa os barcos de Pedro e de seus companheiros e diante da pesca milagrosa, Pedro passa pela experiência com o Senhor e percebe todos os seus pecados: “Senhor, afasta-te de mim, porque sou um pecador!”, e amedrontado se joga aos pés do Senhor.

Na percepção de nossos pecados podemos ter duas ações: agir com orgulho e não se importar ou não se perdoar ou agir com humildade e se lançar na misericórdia de Deus esperando d’Ele a libertação. Perceber nossos erros já é fruto da graça, mas a atitude que teremos diante disso depende exclusivamente de nós.

Estamos entrando no período quaresmal é um excelente tempo mudança de vida, de exercício de penitência, jejum, esmola de intensificar a vida de oração. Este tempo é propiciado pela Igreja no derramamento das graças de Deus sobre seu povo. Não percamos tempo vamos beber desta água viva que jorra para a vida eterna. Exercite sua vocação em aprofundar a experiência com o Salvador.

 

Antonio ComDeus

 


  

1ª Leitura – Is 6,1-2a.3-8

Aqui estou, envia-me.

Leitura do Livro do Profeta Isaías 6,1-2a.3-8

1No ano da morte do rei Ozias,
vi o Senhor sentado num trono de grande altura;
o seu manto estendia-se pelo templo.
2aHavia serafins de pé a seu lado;
cada um tinha seis asas.
3Eles exclamavam uns para os outros:
‘Santo, santo, santo é o Senhor dos exércitos;
toda a terra está repleta de sua glória’.
4Ao clamor dessas vozes,
começaram a tremer as portas em seus gonzos
e o templo encheu-se de fumaça.
5Disse eu então: ‘Ai de mim, estou perdido!
Sou apenas um homem de lábios impuros,
mas eu vi com meus olhos o rei,
o Senhor dos exércitos’.
6Nisto, um dos serafins voou para mim,
tendo na mão uma brasa,
que retirara do altar com uma tenaz,
7e tocou minha boca, dizendo:
‘Assim que isto tocou teus lábios,
desapareceu tua culpa,
e teu pecado está perdoado’.
8Ouvi a voz do Senhor que dizia:
‘Quem enviarei? Quem irá por nós?’
Eu respondi: ‘Aqui estou! Envia-me’.
Palavra do Senhor.

Salmo – Sl 137,1-2a.2bc.4-5.7c-8 (R. 1c.2a)

R.Vou cantar-vos, ante os anjos, ó Senhor, 
e ante o vosso templo vou prostrar-me.


1Ó Senhor, de coração eu vos dou graças,*
porque ouvistes as palavras dos meus lábios!
Perante os vossos anjos vou cantar-vos*
2ae ante o vosso templo vou prostrar-me. R.

2bEu agradeço vosso amor, vossa verdade,*
2cporque fizestes muito mais que prometestes;
3naquele dia em que gritei, vós me escutastes*
e aumentastes o vigor da minha alma. R.

4Os reis de toda a terra hão de louvar-vos,*
quando ouvirem, ó Senhor, vossa promessa.
5Hão de cantar vossos caminhos e dirão:*
‘Como a glória do Senhor é grandiosa!’ R.

7cestendereis o vosso braço em meu auxílio*
e havereis de me salvar com vossa destra.
8Completai em mim a obra começada;*
ó Senhor, vossa bondade é para sempre!
Eu vos peço: não deixeis inacabada*
esta obra que fizeram vossas mãos! R.

2ª Leitura – Cor 15,1-11

É isso o que temos pregado e é isso o que crestes.

Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios 15,1-11

1Quero lembrar-vos, irmãos,
o evangelho que vos preguei e que recebestes,
e no qual estais firmes.
2Por ele sois salvos,
se o estais guardando
tal qual ele vos foi pregado por mim.
De outro modo, teríeis abraçado a fé em vão.
3Com efeito, transmiti-vos em primeiro lugar,
aquilo que eu mesmo tinha recebido, a saber:
que Cristo morreu por nossos pecados,
segundo as Escrituras;
4que foi sepultado;
que, ao terceiro dia, ressuscitou,
segundo as Escrituras;
5e que apareceu a Cefas e, depois, aos Doze.
6Mais tarde,
apareceu a mais de quinhentos irmãos, de uma vez.
Destes, a maioria ainda vive e alguns já morreram.
7Depois, apareceu a Tiago
e, depois, apareceu aos apóstolos todos juntos.
8Por último, apareceu também a mim, como a um abortivo.
9Na verdade, eu sou o menor dos apóstolos,
nem mereço o nome de apóstolo,
porque persegui a Igreja de Deus.
10É pela graça de Deus que eu sou o que sou.
Sua graça para comigo não foi estéril: a prova é que
tenho trabalhado mais do que os outros apóstolos
– não propriamente eu, mas a graça de Deus comigo.
11É isso, em resumo, o que eu e eles temos pregado
e é isso o que crestes.
Palavra do Senhor.

Evangelho – Lc 5,1-11

Deixaram tudo e O seguiram.

+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas 5,1-11

Naquele tempo:
1Jesus estava na margem do lago de Genesaré,
e a multidão apertava-se ao seu redor
para ouvir a palavra de Deus.
2Jesus viu duas barcas paradas na margem do lago.
Os pescadores haviam desembarcado e lavavam as redes.
3Subindo numa das barcas, que era de Simão,
pediu que se afastasse um pouco da margem.
Depois sentou-se e, da barca, ensinava as multidões.
4Quando acabou de falar, disse a Simão:
‘Avança para águas mais profundas,
e lançai vossas redes para a pesca’.
5Simão respondeu:
‘Mestre, nós trabalhamos a noite inteira
e nada pescamos.
Mas, em atenção à tua palavra, vou lançar as redes’.
6Assim fizeram,
e apanharam tamanha quantidade de peixes
que as redes se rompiam.
7Então fizeram sinal aos companheiros da outra barca,
para que viessem ajudá-los.
Eles vieram, e encheram as duas barcas,
a ponto de quase afundarem.
8Ao ver aquilo, Simão Pedro atirou-se aos pés de Jesus,
dizendo: ‘Senhor, afasta-te de mim,
porque sou um pecador!’
9É que o espanto se apoderara de Simão
e de todos os seus companheiros,
por causa da pesca que acabavam de fazer.
10Tiago e João, filhos de Zebedeu,
que eram sócios de Simão, também ficaram espantados.
Jesus, porém, disse a Simão:
‘Não tenhas medo!
De hoje em diante tu serás pescador de homens.’
11Então levaram as barcas para a margem,
deixaram tudo e seguiram a Jesus.
Palavra da Salvação.