Reflexão 3º Domingo da Quaresma – 2012

Neste domingo somos convidados a refletir sobre o grande amor de Deus pela humanidade, “um Deus ciumento”. Muito importante percebermos que Deus se coloca diante dos homens como um Deus pessoal, que se revela e dá a seus filhos todas as instruções de como o homem deve se portar diante d’Ele. Temos a receita. Sabemos tudo para estarmos em Deus e com Deus em todos os momentos de nossa vida. Ele é o todo poderoso, o eterno, o infinito, a própria perfeição. Mas sendo tudo isso se rebaixa e vem se mostrar aos seus para que nossa felicidade possa ser completa. Ele diz que o mal vai até a terceira geração e a graça até a milésima. Certamente é a forma de mostrar que sua benção é infinitamente maior que qualquer mal, assim podemos confiar no Senhor e seguir seus passos em total abandono. E para que o homem não se perca no caminho Ele dá os mandamentos que serve de direção e nos educa para sermos boas pessoas e para mantermos uma boa relação com o próximo, com Deus e com si mesmo.  Se percebermos – os três primeiros mandamentos se referem a Deus, desta forma sabemos como devemos tratá-Lo e lhe dar o culto de adoração no temor e respeitá-lo acima de tudo, afinal Ele se dá de forma pessoal, mas nós não podemos esquecer que Ele é Deus assim prestamos o culto no temor.

Temor não é ter medo, mas o respeito fruto da consciência de Sua grandeza e de nossa pequenez. Os outros sete se refere em nossa relação como próximo, nos dando toda a instrução de como ser uma pessoa perfeita em todas as áreas de nossa vida. Vejamos o cuidado de Deus que durante quase dois mil anos – de Abraão até Jesus – cuidou de seu povo e trouxe toda instrução necessária para que o homem encontrasse a verdadeira felicidade, infelizmente o homem não quis ouvir a Deus e traçou seu próprio caminho gerando a degradação do ser e atraindo pra si a desgraça de suas próprias ações.

Se olharmos no evangelho podemos perguntar por que Jesus ficou tão irado com os vendedores no templo? Afinal não se pode vender nada no templo?  Muitas vezes baseamos nesta passagem para condenar o que acontece hoje nos santuários católicos. Mas veja bem este caso é diferente. Após o exílio da Babilônia (587 – 538) o que predominou na direção do povo de Israel foram os sacerdotes o que chamamos período sacerdotal. Estes impuseram sobre o povo a lei do Puro e Impuro, com isto muitas normas e leis que deveriam ser cumpridas ao pé da letra. Assim tornaram legalistas (cumpridores das leis), mas o amor e a misericórdia já não faziam parte de suas vidas. Ai esta a gravidade dessas leis.

Bem, quando uma pessoa ficasse impura teria que ir ao templo cambiar o seu dinheiro com o dinheiro do templo que era uma moeda específica e sagrada e comprar dos vendedores do templo o animal para o sacrifício e levar para o sacerdote para a oferenda. Toda essa trama estava sob o poder dos sacerdotes que lucravam: no câmbio; na venda dos animais e no sacrifício, pois a maior parte do animal do sacrifício era levado para a feira e vendido como carne para o povo. Esse sistema era abominável diante de Deus e Jesus quer mostrar a indignação de Deus para com esse sistema de exploração inventado pelos dirigentes do povo. Diante desse episódio Jesus revela que agora é seu corpo o verdadeiro templo aquele que tem o poder de libertar o homem do pecado e da morte. Os apóstolos só foram entender isso depois a ressurreição.

E nós entendemos? Que a verdadeira religião não está em práticas de normas, mas na relação pessoal com aquele que pode nos libertar do pecado e da morte? Temos que rever nossa vida de fé se estamos seguindo Jesus por interesses pessoais ou porque queremos cultivar uma vida de amor numa relação pessoal que gere amizade e comprometimento. Os Dez mandamentos são importantes em nossa vida como marcas no caminho para sermos boas pessoas, mas a salvação está em Jesus e é com Ele que temos que travar uma vida de amor, de conhecimento, de experiências espirituais que nos leva a experimentar o céu, saborear as coisas espirituais. Afinal disse Jesus: Eles não são do mundo, como também eu não sou do mundo”. (Jo 17, 16). Empenhemos nesta quaresma em buscarmos mais tempo de oração, de escuta, de estarmos com nosso Amor por mais tempo na intimidade, só assim iremos conhecer o lugar onde iremos viver por toda eternidade.

Não somos deste mundo, aqui é só passagem.

Antonio ComDeus


1ª Leitura – Ex 20,1-17

A Lei foi dada por Moisés.

Leitura do Livro do Êxodo 20,1-17

Naqueles dias:

1Deus pronunciou todas estas palavras:

2’Eu sou o Senhor teu Deus que te tirou do Egito,

da casa da escravidão.

3Não terás outros deuses além de mim.

4Não farás para ti imagem esculpida,

nem figura alguma

do que existe em cima, nos céus,

ou embaixo, na terra,

ou do que existe nas águas, debaixo da terra.

5Não te prostrarás diante destes deuses

nem lhes prestarás culto,

pois eu sou o Senhor teu Deus, um Deus ciumento.

Castigo a culpa dos pais nos filhos

até à terceira e quarta geração dos que me odeiam,

6mas uso da misericórdia por mil gerações

com aqueles que me amam

e guardam os meus mandamentos.

7Não pronunciarás o nome do Senhor teu Deus em vão,

porque o Senhor não deixará sem castigo

quem pronunciar seu nome em vão.

8Lembra-te de santificar o dia de sábado.

9Trabalharás durante seis dias

e farás todos os teus trabalhos,

10mas o sétimo dia é sábado dedicado ao Senhor teu Deus.

Não farás trabalho algum,

nem tu, nem teu filho, nem tua filha,

nem teu escravo, nem tua escrava, nem teu gado,

nem o estrangeiro que vive em tuas cidades.

11Porque o Senhor fez em seis dias o céu e a terra,

o mar e tudo o que eles contêm;

mas no sétimo dia descansou.

Por isso o Senhor abençoou o dia do sábado e o

santificou.

12Honra teu pai e tua mãe,

para que vivas longos anos

na terra que o Senhor teu Deus te dará.

13Não matarás.

14Não cometerás adultério.

15Não furtarás.

16Não levantarás falso testemunho contra o teu próximo.

17Não cobiçarás a casa do teu próximo.

Não cobiçarás a mulher do teu próximo,

nem seu escravo, nem sua escrava, nem seu boi,

nem seu jumento, nem coisa alguma que lhe pertença’.

Palavra do Senhor.

Graças a Deus

Salmo – Sl 18, 8.9.10.11 (R Jo 6,68c)

 

R. Senhor, tens palavras de vida eterna.

 

8A lei do Senhor Deus é perfeita,*

conforto para a alma!

O testemunho do Senhor é fiel,*

sabedoria dos humildes.R.

9Os preceitos do Senhor são precisos,*

alegria ao coração.

O mandamento do Senhor é brilhante,*

para os olhos é uma luz.R.

 

10É puro o temor do Senhor,*

imutável para sempre.

Os julgamentos do Senhor são corretos*

e justos igualmente.R.

 

11Mais desejáveis do que o ouro são eles,*

do que o ouro refinado.

Suas palavras são mais doces que o mel,*

que o mel que sai dos favos.R.

2ª Leitura – 1Cor 1,22-25

Pregamos Cristo crucificado, escândalo para oshomens; mas para os chamados, sabedoria de Deus.

Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios 1,22-25


Irmãos:

22Os judeus pedem sinais milagrosos,

os gregos procuram sabedoria;

23nós, porém, pregamos Cristo crucificado,

escândalo para os judeus e insensatez para os pagãos.

24Mas para os que são chamados,

tanto judeus como gregos,

esse Cristo é poder de Deus

e sabedoria de Deus.

25Pois o que é dito insensatez de Deus

é mais sábio do que os homens,

e o que é dito fraqueza de Deus

é mais forte do que os homens.

Palavra do Senhor.

Graças a Deus

Evangelho – Jo 2,13-25

Destruí, este templo e, em três dias eu o levantarei.

+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João 2,13-25

13Estava próxima a Páscoa dos judeus

e Jesus subiu a Jerusalém.

14No Templo,

encontrou os vendedores de bois, ovelhas e pombas

e os cambistas que estavam aí sentados.

15Fez então um chicote de cordas

e expulsou todos do Templo,

junto com as ovelhas e os bois;

espalhou as moedas

e derrubou as mesas dos cambistas.

16E disse aos que vendiam pombas:

‘Tirai isto daqui!

Não façais da casa de meu Pai uma casa de comércio!’

17Seus discípulos lembraram-se, mais tarde,

que a Escritura diz:

‘O zelo por tua casa me consumirá’.

18Então os judeus perguntaram a Jesus:

‘Que sinal nos mostras para agir assim?’

19Ele respondeu:

‘Destruí, este Templo,

e em três dias o levantarei.’

20Os judeus disseram:

‘Quarenta e seis anos foram precisos para a construção

deste santuário e tu o levantarás em três dias?’

21Mas Jesus estava falando do Templo do seu corpo.

22Quando Jesus ressuscitou,

os discípulos lembraram-se do que ele tinha dito

e acreditaram na Escritura e na palavra dele.

23Jesus estava em Jerusalém durante a festa da Páscoa.

Vendo os sinais que realizava,

muitos creram no seu nome.

24Mas Jesus não lhes dava crédito,

pois ele conhecia a todos;

25e não precisava do testemunho de ninguém acerca do ser

humano, porque ele conhecia o homem por dentro.

Palavra Salvação.

Glória a Vós Senhor