25º Domingo do Tempo Comum – ano C

O que mais fere o coração de Deus é a mesquinhez no coração do homem que busca escravizar o próximo tirando proveito para sua riqueza pessoal gerando injustiça, aproveitamento, escravização do irmão fazendo dele um joguete, controlando-o para sua própria satisfação. É o que vemos no cenário político Brasileiro, mas não só, vemos isso no comercio, na indústria, enfim o homem levado pela ganância buscando “levar vantagem” sobre os outros achando que assim é esperto, é melhor, mais inteligente, que está acima dos outros e que domina a situação de sua vida aproveitando das pessoas com que se relaciona. É algo digno de pena.

Mas neste sentido tenho grandes exemplos em minha vida de uma pessoa que convivi muito e que muito aprendi. Havia um tal chamado “sô Zé da venda” que durante toda a minha vida não vi seu empreendimento – o Empório Santa Rita – crescer e fui testemunha de muitos atos deste ilustre senhor que mostra muito bem como deve ser um homem de Deus. Dentre tantos fatos que presenciei vou relatar dois. Antes, porém quero mostrar como era seu comércio. Ficava em uma cidade do interior uma “venda” aos moldes de roça, mas ficava na cidade e seus fregueses eram pessoas da roça que em sua maioria trabalhava no campo e ganhava sua jornada semanal, então as compras eram feita por semana e contava ai com uma caderneta de “fiado” que ia sempre sobrando uma dívida que geralmente era saldada no fim do ano com décimo terceiro ou com alguma colheita que o trabalhador fazia por fora de seu trabalho na fazenda. O ponto culminante era o acerto destas contas. Quando o freguês chegava com “seus quilos de colheita”, arroz, milho ou feijão o “sô Zé” perguntava ao freguês quanto queria por tal produto e diante da proposta o sô Zé respondia negativamente que esse valor ele não ai pagar, o que o freguês ficava desapontado e sem saber o que fazer, pois sua humildade não lhe dava o poder de negociar acabava aceitando, mas o sô Zé dizia: Este valor eu não pago, pois está muito barato eu pago “tanto”. E acabava pagando mais que a pessoa pedia. O sô Zé era justo e pagava o preço de mercado. Outro dos fatos que presenciei era o perdão das dívidas. Estes inúmeros fregueses ficavam devendo e o fiado ia acumulando quando chegava o mês de dezembro, nas festas natalinas onde recebiam o décimo terceiro e vinham ao armazém acertar suas contas e ficavam decepcionados, o que haviam recebido não dava para pagar as dívidas e levar uma cesta mais recheada para casa, então eu ouvia todo final de ano as mesmas frases para os muitos clientes: “Ano novo, vida nova”, riscava em sua caderneta e na caderneta da pessoa o resto da dívida e dizia: “Vamos começar uma vida nova”. Certamente teria muito a falar sobre este homem que hoje está no céu e reza por nós seus filhos – Meu pai “Zé da venda”.

Quando vejo Amós, na primeira leitura, a falar sobre o que os homens estão fazendo penso em meu pai, pois ele não era assim, mas por causa disso sempre foi olhado pelos outros como um perdedor que nunca cresceu na vida, pois nunca tirou nada do outro e nunca defraudou alguém. Digo isso não só como filho, mas as pessoas que o conheceram dizem a mesma coisa e nunca vi em toda minha vida um comentário sequer que desabonasse meu pai.

 

Olhando para o evangelho nos parece que Deus se alegra por um administrador infiel que leva vantagem sobre os outros e ainda fala “os filhos deste mundo são mais espertos em seus negócios do que os filhos da luz”. Pensando assim meu pai estava errado. Que entendimento podemos ter das palavras de Jesus? O que ele quer nos ensinar?

O que vemos é um administrador que estava usando mal os bens de seu patrão, então vemos que certamente estava tirando vantagens dos bens de seu senhor. Quando percebe que isso vai lhe trazer um prejuízo devastador e pra não ficar jogado no mundo busca fazer o bem a outros para ter um apoio de pessoas que o acolham e lutem por sua causa. Parece tudo estranho e nos dá a impressão que Deus está nos impulsionando a fazer o mesmo em nossos negócios. Mas não é assim. Primeiro o texto diz que ele foi esperto e não que estava certo, segundo que os filhos deste mundo são espertos, mas são do mundo e não de Deus e continuarão no mundo, isto é, longe da graça.

Então vamos entender o que Deus quer nos falar: O Patrão é Deus e nós somos os administradores de seus bens, pois Ele confiou a cada um de nós seus bens para que pudéssemos administrar para Ele. O mau administrador é aquele egoísta, individualista, que quer tudo para si e prejudica o patrão tirando coisas para si, enriquecendo a custa do patrão prejudicando os outros que também estão com parte dos bens do patrão. Quando o administrador percebe que desta forma ele vai ficar perdido e longe das graças de Deus, ele começa a fazer o bem e ajudar os outros com os bens do patrão e no fundo era isso que deveria ter feito desde o começo. Todos nós recebemos de Deus o que temos para colocar a serviço do bem comum, para que através dos bens que temos favorecer aqueles que não têm. O que vemos é que as pessoas não olham o quem tem como administradores e sim como proprietários, como donos e esquecem que o que possuem, mesmo que adquirido com seus próprios esforços e de forma justa, foi Deus que lhes deu para usar isso em benefício dos outros e não de si mesmo. Certamente que o pecado veda os olhos e não deixa ver que é somente um administrador. O mundo não é melhor por causa disso. Existem muitos patrões e poucos administradores.

E é tão fácil. Acaso alguém levou daqui algo ou alguma coisa? Nem seu próprio corpo, este apodrece na terra (certamente que teremos a ressurreição dos mortos no fim dos tempos). Falta sabedoria ao homem para ter claro qual é o seu papel neste mundo.

A nossa Igreja nos fala que fomos criados para – “Adorar, amar e servir a Deus”. E Jesus nos fala “Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei”. Então, Adorar, amar e servir a Deus é colocar tudo o que temos e que somos a serviço do próximo sem preconceitos e discriminação, por isso também que: Dízimo, oferta e esmola têm que fazer parte no cotidiano de nossa vida. Temos que ser para o outro o que Deus é para nós – Amor, Compaixão, Presença atuante. Pense nisto.

 

 

Antonio ComDeus

 

 

PRIMEIRA LEITURA (Am 8,4-7)

Leitura da Profecia de Amós.

4Ouvi isto, vós que maltratais os humildes

e causais a prostração dos pobres da terra;

5vós que andais dizendo:

“Quando passará a lua nova,

para vendermos bem a mercadoria?

E o sábado, para darmos pronta saída ao trigo,

para diminuir medidas, aumentar pesos,

e adulterar balanças,

6dominar os pobres com dinheiro

e os humildes com um par de sandálias,

e para pôr à venda o refugo do trigo?”

7Por causa da soberba de Jacó, jurou o Senhor:

“Nunca mais esquecerei o que eles fizeram.”

– Palavra do Senhor

T. Graças a Deus.

 

7. SALMO RESPONSORIAL 112(113)

(CD XII, Fx 6)

 

Louvai o Senhor que eleva os pobres, que eleva os pobres!

 

1. Louvai, louvai, ó servos do Senhor, louvai, louvai o nome do Senhor! Bendito seja o nome do Senhor, agora e por toda a eternidade!

 

2. O Senhor está acima das nações; quem pode comparar-se ao nosso Deus, ao Senhor que no alto céu tem o seu trono e se inclina para olhar o céu e a terra?

 

3. Levanta da poeira o indigente e retira o pobrezinho do monturo, para fazê-lo assentar-se com os nobres, assentar-se com os nobres do seu povo.

 

SEGUNDA LEITURA (1Tm 2,1-8)

Leitura da Primeira Carta de São Paulo a Timóteo.

Caríssimo,

1antes de tudo, recomendo que se façam preces e orações,

súplicas e ações de graças,

por todos os homens;

2pelos que governam e por todos que ocupam altos cargos,

a fim de que possamos levar uma vida tranquila

e serena, com toda piedade e dignidade.

3Isto é bom e agradável a Deus, nosso Salvador;

4ele quer que todos os homens sejam salvos

e cheguem ao conhecimento da verdade.

5Pois há um só Deus,

e um só mediador entre Deus e os homens:

o homem Cristo Jesus,

6que se entregou em resgate por todos.

Este é o testemunho dado no tempo estabelecido por Deus,

7e para este testemunho

eu fui designado pregador e apóstolo,

e – falo a verdade, não minto –

mestre das nações pagãs na fé e na verdade.

8Quero, portanto, que em todo lugar

os homens façam a oração,

erguendo mãos santas,

sem ira e sem discussões.

– Palavra do Senhor.

T. Graças a Deus.

 

9. ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO

(CD XII Fx 7)

 

Aleluia, aleluia, aleluia, aleluia, aleluia.

 

O Cristo, que era rico, de rico se fez pobre, e, assim, com sua pobreza nos fez ricos e nobres, o Cristo, que era rico, de rico se fez pobre e, assim, com sua pobreza a nós ricos fez e nobres!

 

EVANGELHO (Lc 16,1-13)

P. O Senhor esteja convosco.

T. Ele está no meio de nós.

P. Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.

T. Glória a vós, Senhor.

P. Naquele tempo,

1Jesus dizia aos discípulos:

“Um homem rico tinha um administrador

que foi acusado de esbanjar os seus bens.

2Ele o chamou e lhe disse:

‘Que é isto que ouço a teu respeito?

Presta contas da tua administração,

pois já não podes mais administrar meus bens’.

3O administrador então começou a refletir:

‘O senhor vai me tirar a administração.

Que vou fazer?

Para cavar, não tenho forças;

de mendigar, tenho vergonha.

4Ah! Já sei o que fazer,

para que alguém me receba em sua casa

quando eu for afastado da administração’.

5Então ele chamou cada um

dos que estavam devendo ao seu patrão.

E perguntou ao primeiro:

‘Quanto deves ao meu patrão?’

6Ele respondeu: ‘Cem barris de óleo!’

O administrador disse:

‘Pega a tua conta, senta-te, depressa,

e escreve cinquen­ta!’

7Depois ele perguntou a outro:

‘E tu, quanto deves?’

Ele respondeu: ‘Cem medidas de trigo’.

O administrador disse:

‘Pega tua conta e escreve oitenta’.

8E o senhor elogiou o administrador desonesto,

porque ele agiu com esperteza.

Com efeito, os filhos deste mundo

são mais espertos em seus negócios

do que os filhos da luz.

9E eu vos digo:

Usai o dinheiro injusto para fazer amigos,

pois, quando acabar,

eles vos receberão nas moradas eternas.

10Quem é fiel nas pequenas coisas

também é fiel nas grandes,

e quem é injusto nas pequenas

também é injusto nas grandes.

11Por isso, se vós não sois fiéis

no uso do dinheiro injusto,

quem vos confiará o ver­da­deiro bem?

12E se não sois fiéis no que é dos outros,

quem vos dará aquilo que é vosso?

13Ninguém po­de servir a dois senhores,

porque ou odiará um e amará o outro,

ou se apegará a um e desprezará o outro.

Vós não podeis servir a Deus e ao dinheiro”.

– Palavra da Salvação.

T. Glória a vós, Senhor.