24º Domingo do Tempo Comum – ano C

Esta liturgia pode resumir em uma só palavra o que Deus é para nós – “Misericórdia”. Olhando a primeira leitura observamos dois aspectos muito importantes de um lado vemos Deus se irritar com seu povo e querer destruir esta geração e começar tudo de novo como aconteceu no dilúvio com Noé. Mas de outro lado observamos o papel de Moisés como intercessor que se coloca entre Deus e o povo e pede misericórdia, a Sagrada Escritura diz que Moisés era o mais humilde dos homens que nunca houve um homem tão humilde como ele. E é em sua humildade que se rebaixa ainda mais e busca a salvação de seu povo. Importante percebermos que somente os humildes conseguem ver a grandeza de Deus e a Sua misericórdia infinita o soberbo nada disso vê, pois sua arrogância não permite ver. Moisés apela pelos antepassados, pessoas queridas de Deus e que tiveram um papel importante na história deste povo, certamente o texto força um pouco dizendo que Deus “desistiu do mal que havia ameaçado fazer ao seu povo”.

 O que na verdade quer mostrar é o diálogo entre Moisés e Deus como duas pessoas maduras que dialogam e buscam o melhor para seu povo. Isto Deus espera de nós. Não podemos ser eternamente crianças que ficam choramingando diante de Deus querendo isto e aquilo, mas pessoas que caminham lado-a-lado com Deus e busca o que é melhor não para si, mas para aqueles que estão necessitando da graça. Importante percebermos que Deus quis elevar Moisés dizendo: “Mas de ti farei uma grande nação”. Moisés não estava preocupado com ele, mas com o povo. Certamente que em outra ocasião é Moisés que se irrita com o povo e quer destruí-los, mas Deus o acalma. O que vemos são dois amigos conversando.

Na segunda leitura Paulo mostra a grandeza desta misericórdia falando de si, o quanto era ignorante e quantos pecados cometeu buscando seguir uma lei criada e deturpada pelos homens levando-o a perseguir os cristãos, mas no caminho de Damasco teve um encontro com o Deus da misericórdia que o resgatou e fez dele o exemplo para toda a comunidade. Importante percebermos que Paulo diz que era “ignorante” e não “maledicente”, aqui está uma grandeza incomensurável. Muitas pessoas vivem uma vida errada por que não conhecem a verdade estão com os olhos tapados a estes é mais fácil a misericórdia atingir, mas aos maledicentes, aqueles que têm a tendência para fazer o mal, que buscam em sua vida destruir, manipular, mentir, sonegar, corromper as pessoas, criar situações para levar vantagem, enfim a estes é difícil a misericórdia atingir, pois estão fechados à graça.

Certamente Deus é incompreensível, isto é, não conseguimos entender a Deus plenamente, sendo eterno, onipotente, todo poderoso, se rebaixa a altura dos homens para amá-los e servi-los esperando um momento para transformá-los em seus amigos é o caso da vida de Jesus, as pessoas olhavam e condenavam suas atitudes “Este homem acolhe os pecadores e faz refeição com eles”. Jesus tenta de todas as formas mostrar quem é Deus, conta estória, cria parábolas, busca mostrar a eles que Deus é amor, que acolhe os pecadores e sente alegria em resgatá-los, em dar-lhes uma nova vida, tenta mostrar aos fariseus e aos mestre da lei que eles não recebem estas graças por que acham que não precisam. Assim também acontece em nosso meio quantas pessoas acham que não cometem pecados, que não precisam de Deus, vive uma vida egocêntrica, olham somente pra si e sente capaz de resolver suas coisas, são hedonistas, individualista, buscam a “felicidade” em forma de atender seus prazeres e faz da verdade algo que convém. Na verdade se fecham. Mas Deus não desiste. Ele sempre espera. É o caso do filho pródigo que por um ato livre exige sua herança e esbanja seus dons e talentos em coisas fúteis não tirando pra si nada de construtivo chegando a perder todo sentido da vida, mas o Pai sempre espera… Todos os dias olha no horizonte para ver se o filho mudou de ideia e quer de novo partilhar com ele a vida feliz e quando isto acontece é uma festa. Mesmo aquele que estava em casa todo tempo precisa de conversão, pois Deus não que empregados nem serviçais, funcionários nem escravos, servidores nem administradores… Deus quer amigos que como Moisés, como Paulo, entregam suas vidas em uma comunhão de amor buscando uma amizade, uma relação, uma partilha, lutando em favor do povo, implantando um Reino em que Deus seja tudo em todos.

Temos que entender que estamos neste mundo não para usufruirmos dos “prazeres” que o mundo possa oferecer buscando ai a felicidade, mas para nos relacionarmos, interagirmos e sermos para o outro um sinal de amor assim cumprimos nossa missão e nos tornamos amigos de Deus.

 

Antonio ComDeus

 


 

 

24º Domingo do Tempo Comum – C

 

PRIMEIRA LEITURA (Ex 32, 7-11.13-14)

Leitura do Livro do Êxodo:

Naqueles dias, 7o Senhor falou a Moisés: “Vai, desce, pois corrompeu-se o teu povo, que tiraste da terra do Egito. 8Bem depressa desviaram-se do caminho que lhes prescrevi. Fizeram para si um bezerro de metal fundido, inclinaram-se em adoração diante dele e ofereceram-lhe sacrifícios, dizendo: ‘Estes são os teus deuses, Israel, que te fizeram sair do Egito!’” 9E o Senhor disse ainda a Moisés: “Vejo que este é um povo de cabeça dura. 10Deixa que minha cólera se inflame contra eles e que eu os extermine. Mas de ti farei uma grande nação”. 11Moisés, porém, suplicava ao Senhor seu Deus, dizendo: “Por que, ó Senhor, se inflama a tua cólera contra o teu povo, que fizeste sair do Egito com grande poder e mão forte? 13Lembra-te de teus servos Abraão, Isaac e Israel, com os quais te comprometeste, por juramento, dizendo: ‘Tornarei os vossos descendentes tão numerosos como as estrelas do céu; e toda esta terra de que vos falei, eu a darei aos vossos descendentes como herança para sempre’”. 13E o Senhor desistiu do mal que havia ameaçado fazer ao seu povo.

-Palavra do Senhor

T. Graças a Deus.

 

SALMO RESPONSORIAL50 (51)

(CD XII, Fx 5)

 

Vou agora levantar-me, volto à casa do meu Pai!

 

1. Tende piedade, ó meu Deus, misericórdia! Na imensidão de vosso amor, purificai-me! Do meu pecado, todo inteiro, me lavai e apagai completamente a minha culpa!

 

2. Criai em mim um coração que seja puro, dai-me de novo, um espírito decidido. Ó Senhor, não me afasteis de vossa face nem retireis de mim o vosso Santo Espírito!

 

3. Abri meus lábios, ó Senhor, para cantar e minha boca anunciará vosso louvor! Meu sacrifício é minha alma penitente, não desprezeis um coração arrependido!

 

SEGUNDA LEITURA (1Tm 1,12-17)

Leitura da Primeira Carta de São Paulo a Timóteo.

Caríssimo, 12agradeço àquele que me deu força, Cristo Jesus, nosso Senhor, pela confiança que teve em mim ao designar-me para o seu serviço, 13a mim, que antes blasfemava, perseguia e insultava. Mas encontrei misericórdia, porque agia com a ignorância de quem não tem fé. 14Transbordou a graça de nosso Senhor com a fé e o amor que há em Cristo Jesus. 15Segura e digna de ser acolhida por todos é esta palavra: Cristo veio ao mundo para salvar os pecadores. E eu sou o primeiro deles! 16Por isso encontrei misericórdia, para que em mim, como primeiro, Cristo Jesus demonstrasse toda a grandeza de seu coração; ele fez de mim um modelo de todos os que crerem nele para alcançar a vida eterna. 17Ao Rei dos séculos, ao único Deus, imortal e invisível, honra e glória pelos séculos dos séculos. Amém!

– Palavra do Senhor.

T. Graças a Deus.

 

ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO

Aleluia, aleluia, aleluia, aleluia.

O Senhor reconciliou o mundo em Cristo, confiando-nos sua palavra, a Palavra da reconciliação, Palavra que hoje, aqui, nos salva!

 

EVANGELHO (Lc 15,1-31)

P. O Senhor esteja convosco.

T. Ele está no meio de nós.

P. Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.

T. Glória a vós, Senhor.

P. Naquele tempo, 1os publicanos e pecadores aproximavam-se de Jesus para o escutar. 2Os fariseus, porém, e os mestres da lei criticavam Jesus: “Este homem acolhe os pecadores e faz refeição com eles”. 3Então Jesus contou-lhes esta parábola: 4“Se um de vós tem cem ovelhas e perde uma, não deixa as noventa e nove no deserto, e vai atrás daquela que se perdeu, até encontrá-la? 5Quando a encontra, coloca-a nos ombros com alegria, 6e, chegando à casa, reúne os amigos e vizinhos, e diz: ‘Alegrai-vos comigo! Encontrei a minha ovelha que estava perdida!’ 7Eu vos digo: Assim haverá no céu mais alegria por um só pecador que se converte, do que por noventa e nove justos que não precisam de conversão. 8E se uma mulher tem dez moedas de prata e perde uma, não acende uma lâmpada, varre a casa e a procura, até encontrá-la? 9Quando a encontra, reúne as amigas e vizinhas, e diz: ‘Alegrai-vos comigo! Encontrei a moeda que tinha perdido!’ 10Por isso, eu vos digo, haverá alegria entre os anjos de Deus por um só pecador que se converte”. 11E Jesus continuou: Um homem tinha dois filhos.12O filho mais novo disse ao pai: Pai, dá-me a parte da herança que me cabe. E o Pai dividiu os bens entre eles.13Poucos dias depois, o filho mais novo juntou o que era seu e partiu para um lugar distante e ali esbanjou tudo numa vida desenfreada. 14Quando tinha gasto tudo o que possuía, houve uma grande fome naquela região, e ele começou a passar necessidade. 15Então foi pedir trabalho a um homem do lugar, que o mandou para seu campo cuidar dos porcos. 16 O rapaz queria matar a fome com a comida que os porcos comiam, mas nem isso lhe davam.  17Então caiu em si e disse: quantos empregados do meu pai têm pão com fartura e eu aqui morrendo de fome.  18Vou-me embora, vou voltar para meu pai e dizer-lhe: Pai, pequei contra Deus e contra ti; 19Já não  mereço ser chamado teu filho. Trata-me como a um dos teus empregados.  20Então, ele partiu e voltou para seu pai. Quando ainda estava longe, seu pai o avistou e sentiu compaixão. Correu-lhe ao encontro e abraçou-o e cobriu-o de beijos.  21O filho, então, lhe disse: pai, pequei contra Deus e contra ti. Já não mereço ser chamado teu filho. 22Mas o pai disse aos empregados: Trazei depressa a melhor túnica para vestir meu filho. E colocai um anel no seu dedo e sandálias nos pés. 23Trazei um novilho gordo e matai-o. Vamos fazer um banquete. 24Porque este meu filho estava morto e tornou a viver, estava perdido e foi encontrado. E começaram a festa. 25O filho mais velho estava no campo. Ao voltar, já perto de casa, ouviu música e barulho de dança. 26Então chamou um dos criados e perguntou o que estava acontecendo. 27O criado respondeu: é teu irmão que voltou. Teu pai matou o novilho gordo porque o recuperou com saúde. 28Mas ele ficou com raiva e não queria entrar. O pai, saindo, insistia com ele. 29Ele, porém, respondeu ao pai: eu trabalho para a ti há tantos anos, jamais desobedeci a qualquer ordem tua. E tu nunca me deste um cabrito para eu festejar com meus amigos. 30Quando chegou este teu filho, que esbanjou teus bens com prostitutas, matas para ele o novilho cevado. 31Então, o pai lhe disse: Filho, tu está sempre comigo e tudo o que é meu é teu. 32Mas era preciso festejar a alegrar-nos, porque este teu irmão estava morto e tornou a viver, estava perdido e foi encontrado.

– Palavra da Salvação.

T. Glória a vós, Senhor.