Olhar além dos erros

Porque será que quase sempre somos míopes para enxergarmos nossos próprios erros e defeitos, porém os defeitos e erros daqueles que estão ao nosso redor enxergamos com visão de águia. Com uma visão assim tão aguçada seria possível enxergar uma formiga a milhas de distância, porém nossas falhas nem com o [1] “Telescópio Espacial Hubble”.

Talvez admitir nossas imperfeições seja motivo de cegueira ou simplesmente motivo de admitir a nós mesmos que não somos Super Homens ou Super Mulheres. Muitos acabam por criar um personagem fictício e passam a vida toda com medo de errar, entretanto acabam sendo implacáveis com os desacertos dos outros.

Surpreendo-me cada dia com a vida, comigo mesmo e com as pessoas que me cercam, e “sem querer querendo” cheguei à seguinte conclusão: “Somos frágeis mesmo querendo demonstrar que somos fortes, imperfeitos mesmo querendo demonstrar uma certa perfeição, e sabendo que tal perfeição está longe de nós.”

 

É fácil julgar, porque é mais fácil e cômodo;

É mais fácil  condenar, porque somos grandes juízes para ver o erro dos outros;

É mais fácil ser indiferente, pois é melhor do que ficar perto daquele sujeitinho que não vamos com a cara;

É mais fácil ficar longe daqueles que não nos agradam, e quanto mais longe melhor, porque assim ele não nos aborrece.

 

Quem sabe tudo isso seja raiva de nós mesmos, porque as falhas que abominamos nos outros, talvez seja os erros que teimamos esconder debaixo do “tapete” de nossas vidas.

Em alguns momentos da vida somos egoístas, imaturos, queremos que as coisas sejam sempre do nosso jeito, “O outro que me ame do jeito que sou. Sou assim e não vou mudar, quem quiser que me ame assim mesmo, e dane-se aquele que não me aceite com este meu jeito”, ouvi isso certa vez da boca de uma amiga, mas percebo a grande incoerência nisso tudo, pois, não queremos amar os outros como eles são, e sim como queremos que eles fossem. Eles que se adaptem ao nosso gosto. Estou certo ou errado?

Você meu caro ou minha cara, já desprezou alguém por motivos pequenos? Vou contar um segredo para vocês “Eu já!”, e muitas vezes, pessoas essas que eu considerava até grandes amigos, pessoas que tinham meu zelo e minha consideração.

 Existem aqueles momentos que a ira nos toma conta, e aquela pessoa que antes eram grandes aos nossos olhos, são vistas com indiferença.
Em algum momento na caminhada essas pessoas nos desapontaram, mas esquecemos todo um histórico antes vivido, nos fechamos muitas vezes em um pequeno detalhe, só vemos a margem e esquecemos o resto da estrada, e na raiva acabamos por esquecer as histórias bonitas que vivemos em um tempo bom ao lado daquela pessoa que hoje fazemos de conta que nem existem.

O Padre Fábio de Melo tem razão ao falar que “nem tudo o que sentimos é verdadeiro, a vida não pode brotar somente das nossas sensações. É preciso equalizar o que sentimos com o que sabemos. É uma questão de humanidade.(Trecho do livro cartas entre amigos de autoria de Pe. Fabio de Melo e Gabriel Chalita)

Não podemos ficar preso a detalhes, corremos o risco de morrer com remorsos no coração, corremos o risco de ver morrer aquele que amamos, mas por termos dificuldades em perdoar, podemos não ter a oportunidade de dar o perdão ou pedir perdão.

Pensemos em Jesus neste momento, pois ele mesmo teve que lidar muitas vezes com essas questões, porém, ele agia de maneira certa, era óbvio que nem sempre ou quase sempre as atitudes de seus seguidores lhe agradavam, talvez até despertasse nele algum pensamento do tipo “Caramba!!! Pedro não tem jeito, ô bichinho complicado” (risos) Pedro certamente era alguém muito difícil de se conviver, sua personalidade era muito forte, pois era um homem bruto, sem estudos, um simples pescador, era rude, devia ser teimoso, um homem que quando abria a boca era a espera de alguma bobagem, pois era afoito demais, falava muitas vezes sem pensar, Jesus era o oposto, inteligente, tranqüilo, pensador, astuto, sensível, pensava muito antes de falar algo, gostava de ouvir as pessoas, gostava de ver nos outros além de seus defeitos ou seja, Ele era alguém além de seu tempo.

Mesmo com o contraste de personalidade, eram amigos, e mesmo com tantos defeitos, Pedro era um dos prediletos do Mestre.  Se Cristo tivesse visto somente os defeitos, ele não teria o escolhido para ser a pedra fundamental de nossa igreja, pois já teria desistido ali no primeiro diálogo que ambos tiveram à beira do mar da Galiléia. Cristo olhava para todos e não via somente os erros, ele conseguia enxergar aquilo de melhor que aquela pessoa tinha dentro de si. Madalena, Pedro, Zaqueu que o digam.

Depois de refletir um pouco do grande homem que foi Jesus, vamos agora pensar nos outros como pessoas limitadas e imperfeitas assim como nós o somos.

Que a amizade de Jesus com Pedro seja um grande exemplo para nós. E assim sendo poderemos mudar o nosso discurso:

É fácil julgar, mas não quero cair nesse erro, em vez de julgar vou preferir ajudá-lo a não mais errar;

É mais fácil  condenar, porém não sou juiz para julgar, mas prefiro ser um amigo para estar ao lado nas horas da queda e ajudá-lo a se levantar de seus tropeços;

É mais fácil ser indiferente, porém prefiro aceitar as limitações dos outros e fazer com que o outro saiba que pode contar sempre comigo;

É mais fácil ficar longe daqueles que não nos agradam, isso é verdade, porém posso fazer com que essa pessoa se torne minha amiga, basta um esforço primeiramente da minha parte e não esperar que o outro mude, pois, o primeiro que deve mudar sou eu, não tenho que esperar que os outros se moldem ao meu querer.

 

Que sirva de crescimento esta reflexão

 

Por: Alexandre Brito (alebrito51@hotmail.com)


[1] Telescópio espacial Hubble: É um satélite astronômico, artificial não tripulado que transporta um grande telescópio para a luz visível e infravermelha. Imaginado nos anos 40, projetado e construído nos anos 70 e 80 e em funcionamento desde 1990, o Telescópio Espacial Hubble, foi batizado em homenagem a Edwin Powell Hubble, que revolucionou a Astronomia, ao constatar que o Universo estava se expandindo.