Encher a cidade

Neste tempo pascal fixamos nossa contemplação e atenção ao feito de Jesus, que ressuscitou. A morte não tem poder sobre Ele. Por isso, nossa fé em sua ressurreição nos leva a sermos verdadeiros missionários seus. A Páscoa não é só um dia de celebração.

É ato contínuo de sustentação da fé com o seguimento à pessoa do Ressuscitado, realizando seus ensinamentos e imitando o que os discípulos fizeram logo após a ressurreição dele: “O sumo sacerdote começou a interrogá-los, dizendo: ‘Nós tínhamos proibido expressamente que vós ensinásseis em nome de Jesus. Apesar disso, enchestes a cidade de Jerusalém com a vossa doutrina’” (Atos 5, 27-28).

 

Muitos não têm fé esclarecida e ficam perambulando em busca de melhoria de condições materiais e solução de problemas pessoais nas diferentes religiões, julgando que o melhor é ater-se a ritos mágicos para atingirem seus anseios. Não faltam pessoas que prometem ir ao encontro dessas necessidades com propostas religiosas de fácil acesso. Apesar da boa fé dos que buscam isso, o anseio de felicidade e realização humana vai além. O caminho da fé robusta deve ser percorrido na orientação e formação que deem embasamento para um itinerário que leve ao objetivo maior de vida. O próprio Jesus admoesta que não basta ir atrás dele por causa dos milagres. O caminho por Ele proposto é mais estreito e exige escolha, renúncia e perseverança. Encarregou seus Apóstolos e demais discípulos de o ensinarem a todos: “Vão e façam com que todos os povos se tornem meus discípulos” (Mateus 28, 19). Paulo, ardoroso apóstolo, além de dar grande exemplo de pregador do Evangelho, conclama todos ao anúncio do mesmo, quer agradem quer desagradem. De fato, muitos não querem saber de compromisso com a verdade de Deus. A religião às vezes é usada sem compromisso com a pessoa de Cristo e sua Igreja.

 

A fé bem esclarecida leva a pessoa a realizar o projeto de Deus com coragem, perseverança e testemunho de vida, mesmo remando contra a correnteza do paganismo. Não a deixa esmorecer em sua busca constante de realizar o mandato de Cristo. A pessoa, então, que assim age, colabora com a ação missionária, a ponto de não perder ocasião para evangelizar em seu ambiente. Precisamos de verdadeiros apóstolos dos meios ambientes de nosso convívio, como a família, a mídia, a política, o trabalho… Quanta ética falta em muitas situações de relacionamento humano! Precisamos enchê-las com os valores e critérios do Divino Mestre para termos mais justiça e promoção da dignidade humana. As corrupções não terão mais lugar. As pessoas vão ser tratadas com mais valor. As discriminações e exclusões vão ser superadas. As famílias terão mais condição de viver sua vocação. A política realmente será instrumento de promoção do bem da sociedade…

 

As consequências em quem assume a vida nova trazida, com a celebração da Páscoa, tornam-se visíveis. O entusiasmo em viver a própria fé leva a pessoa a ser solidária com os empobrecidos, atuante na vida da comunidade e colaboradora na construção de um relacionamento humano. Faz com que ela ser torne verdadeira discípula e missionária do Senhor ressuscitado!

 Dom José Alberto Moura

É Arcebispo Metropolitano de Montes Claros, Presidente da Comissão Episcopal Pastoral para o Diálogo Ecumênico e Inter-Religioso da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e Primeiro Vice-Presidente do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (Conic). Nasceu em Ituiutaba, Minas Gerais, em 23 de outubro de 1943. Pertence à Congregação dos Sagrados Estigmas de Nosso Senhor Jesus Cristo (CSS). Foi nomeado Arcebispo Metropolitano de MOC em 07 de fevereiro de 2007, tomando posse nesta Igreja Particular em Missa Solene no dia 14 de abril do mesmo ano.