Testemunhar a ressurreição

A fé esclarecida leva a pessoa a seguir a Cristo por Ele mesmo, superando a busca da religião por puro interesse de solução de problemas materiais, psicológicos, familiares, eclesiais e sociais. O fundamento da fé se dá na ressurreição do Filho de Deus. Testemunhar a ressurreição se torna nossa missão primeira. “Nós somos testemunhas de tudo o que Jesus fez na terra dos judeus… Eles o mataram, pregando-o numa cruz. Mas Deus o ressuscitou no terceiro dia” (Atos 10, 39-40).

 

A celebração da Páscoa de Jesus é mais do que uma alegria de um dia ou um período. É aceitar a vida, com tudo o que segreda e mostra, assumindo o sentido último da mesma. Paulo nos aponta essa meta. “Se ressuscitastes com Cristo, esforçai-vos por alcançar as coisas do alto… aspirai às coisas celestes e não às coisas terrestres (Colossenses 3, 1-2). Nessa direção se faz cada dia a Páscoa, ou seja, se encara a vida com o sentido provisório que ela tem na terra. Esta caminhada presente por si mesma tem grande valia se a soubermos enfrentar com o seguimento do exemplo do Divino Mestre. A Campanha da Fraternidade nos lembra, neste ano, o quanto é importante saber usar dos bens materiais para promovermos a vida, a justiça, o bem comum, a inclusão social, a superação do egoísmo com os malefícios da corrupção, do enriquecimento como finalidade da vida, o uso do dinheiro desfocalizado do sentido do amor a Deus e ao semelhante…

 

Testemunhar a vida nova, assumida com a celebração da ressurreição de Jesus, faz a pessoa de fé mudar de vida, tendo intimidade real e diuturna com Deus, a ponto de dar sentido a tudo o que faz. A pessoa respira o bem. Sabe dialogar, perdoar, incentivar os outros. Torna-se feliz porque sabe que está realizando o que o próprio Cristo pede. Colabora com a transformação social. Une-se a causas de promoção da justiça e da dignidade humana. Não se conforma com o mal. Tudo faz para servir a Deus no semelhante. Se tem cargo de coordenação e de mandato público, procura levar a efeito a responsabilidade outorgada pela comunidade, a fim de servi-la, não traindo a causa assumida de serviço ao bem comum.

 

A religiosidade da pessoa que faz a Páscoa com Cristo não a deixa abalar na fé por maus exemplos de outros. Pelo contrário, procura testemunhar sua adesão ao projeto cristão com determinação, coragem, entusiasmo e perseverança. Afinal, sabe que tem de prestar contas é a Deus e não aos outros. Testemunha a verdade com a prática da caridade e do serviço ao semelhante, à Igreja e à sociedade. Não muda de fé, nem de religião, aconteça o que for, pois, o ser humano é pecador por natureza. Quem tem fé esclarecida segue o próprio caminho coerente com a mesma, ajudando as pessoas mais frágeis na fé. Colabora com a melhoria de sua comunidade religiosa e da sociedade!

 

Se Cristo ressuscitou, não temos motivo para o desânimo, mesmo que o mundo desmorone, pois, temos a certeza de que Ele está conosco e nos ajuda a realizar seu projeto de vida para também obtermos a vitória contra o mal. O egoísmo e todo tipo de ruindade são controlados. Com Cristo vencemos. A última palavra é a vitória sobre a morte!

 

Dom José Alberto Moura

 

É Arcebispo Metropolitano de Montes Claros, Presidente da Comissão Episcopal Pastoral para o Diálogo Ecumênico e Inter-Religioso da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e Primeiro Vice-Presidente do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (Conic). Nasceu em Ituiutaba, Minas Gerais, em 23 de outubro de 1943. Pertence à Congregação dos Sagrados Estigmas de Nosso Senhor Jesus Cristo (CSS). Foi nomeado Arcebispo Metropolitano de MOC em 07 de fevereiro de 2007, tomando posse nesta Igreja Particular em Missa Solene no dia 14 de abril do mesmo ano.