Precisamos nos libertar das correntes que aprisionam nosso coração.

A ideia de cárcere que temos nos dá a entender, que se trata de uma privação, da liberdade, de algo que gostamos ou de estarmos fora do contexto da moral comprovada.

Um dos fatores que contribuem para essa prisão e não percebemos suas conseqüências, é a estima de nós próprios, o desejo de que as pessoas que estão ao nosso redor nos queiram bem, nos considerem modelos a ser seguido. Essa estima se apropria de nosso coração, e nos deixa cegos para os sinais que são dados ao longo deste processo.

Porém, o conceito auto-estima que temos, pode estar desfigurado de seu sentido original, que é reconhecermos por inteiro, nossas qualidades, nossos defeitos, onde se dá o processo de sermos pessoa, são alguns critérios que permeiam este conceito, ao contrário do que se pensa atualmente, onde, auto-estima tem o sentido, de evidenciarmos o que há de bom em nós e esquecermos as coisas negativas. Contrariando o que parece ser, essa forma errônea tem conseqüências graves ao sujeito que se aproprie dela.

Faz esquecer que estamos num processo de construção permanente, um processo de aperfeiçoamento, e aqui se encontra uma questão que precisamos nos ater. Como posso me aperfeiçoar se descarto tudo de negativo que está aparente em mim?

Com essa simples questão, e poderíamos também pensar em outras, percebemos o quanto também nós nos apropriamos do conceito errado de auto-estima. Sem essa questão, ficamos presos em conceitos sem fundamentos, conceitos falsos, que enganam outras pessoas e que também nos engana. Como? Qual a imagem que formulo de mim? Qual a imagem que projeto da minha pessoa? Como lido com as críticas? Qual minha relação com o fracasso? São algumas questões que nos dão, mais que respostas sobre elas, mas, respostas sobre nosso verdadeiro ser.

A prisão quando revelada nos mostra o quanto devemos ser humildes, porém, quando oculta, torna-nos soberbos.

Reconhecendo nossas falhas, nossas incompletudes, teremos a plena dimensão do “eu”. E pode parecer contradição a princípio, mas não o é, reconhecendo-nos, despertará em nós o desejo do anonimato, ou seja, ficaremos felizes em não nos apresentarmos prontos, aos demais e a nós mesmos.

Poderemos tranquilamente nos auto-avaliar, lidarmos com a crítica, não como uma restrição ao crescimento, mas sim como um sinal que nos atenta sobre algo que até então não havíamos percebido.

Portanto, somente assim, seremos fiéis ao conceito de auto-estima e principalmente fiéis conosco. Que possamos desmontar os palcos e cenários que temos e fazer da vida não um ensaio, mas sim a peça principal merecedora de aplausos.

 

 

Deus vos guarde.

 

Ricardo Pereira Fungachi