Seqüestradores ou seqüestrados?

Para falarmos deste tema, automaticamente somos levados a também refletir sobre nosso conceito de liberdade, que ultimamente estamos deixando de usufruir dele. Seja pela força de outros ou por nossa aceitação, diante da situação em que nos encontramos, basta vermos, os diversos problemas que temos na sociedade atual.

Tanto uma forma como outra, é difícil de combater, quando feito pela autoridade do outro, esboçamos alguma reação, para que não nos privem da liberdade, demonstramos que esta propriedade não está abandonada, existirá então, um conflito, uma defesa por aquilo que é nosso, porém, quando não reagimos diante dessa situação, nos deixamos aprisionar, cedendo facilmente ao nosso algoz, o que era de propriedade nossa.

O seqüestro também pode ser estabelecido em nós, de duas formas: A forma violenta, e a forma sutil. Geralmente presenciamos com mais freqüência a forma violenta, porém nem sempre é a que nos causa mais danos. Pois a forma sutil, não é tão rápida como a anterior, o seqüestrador planeja minuciosamente, se aproxima de nós para saber em que ponto somos vulneráveis, ele se apresenta na roupagem de amigo, atencioso, dedicado. Este amigo com o tempo irá nos dando coisas que até então não tínhamos experimentado, criando assim uma dependência afetiva, ou seja, a necessidade de estarmos sempre junto a ele, e sem perceber já estamos adentrando num cárcere muitas vezes difícil de sair.

Esse aspecto é o mesmo do mundo das drogas, ela nunca se apresenta realmente como é num primeiro instante é sedutora, nos dá uma sensação agradável, de bem estar e aos poucos não conseguiremos nos ver sem sua presença, que nos é tão agradável a princípio. Essa dependência nos desliga da realidade do mundo em que vivemos, passamos a nos enxergamos somente junto à droga.

Assim também pode ser nossos relacionamentos, criamos uma dependência do outro, que nos faz esquecer de nós mesmos. O outro nos é tão indispensável, que quando nos vemos sem sua presença, sofremos.         

Nos textos que publico, estamos tratando do processo de auto afirmarmos o que somos, e nestas situações e em muitas outras não citadas aqui, percebemos a crise de identidade que passa o ser humano, e esta crise nos insere em muitas situações de aprisionamento, ou melhor, dizendo, de seqüestro de nós mesmos.

O mais preocupante de tudo isso, são as seguintes questões:

Quem pagará o resgate para nos libertar? Como libertar alguém que não percebe o cárcere onde se encontra?

Tratamentos, medicamentos, podem ajudar no processo de libertação, mas não garante a eficácia, pois também se faz necessário enxergar essa situação e querer sair dela.

Podemos ser a vítima, conhecer alguém que esteja neste contexto ou nos reconhecermos como seqüestradores.

 

Deus vos guarde,

 

RicardoFungachi